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PAULO MOURA – 1932-2010

No dia 06 de março deste ano, o Centro de Referência da Música Carioca homenageou o músico e maestro Paulo Moura, dando seu nome ao palco-auditório do órgão.

Paulo deu uma canja ao lado os músicos Humberto Araújo (ex-aluno), Carlos Malta e Gabriel Gross. O público presenciou um dos mais belos momentos da música instrumental brasileira proporcionado pelo inesquecível mestre e maestro, que faleceu no último dia 12.

1 x 0 (Pixinguinha), Noites Cariocas (Jacob do Bandolin)

Ele, a brisa e a modéstia de um vanguardista

Nunca ninguém neste país, até aquele ano de 1953, havia feito algo na música popular como aquele mulato fizera ao piano. O instrumento parecia cercar a voz, abandonando o ritmo, desvinculado do contra-baixo e da bateria. A música causou comoção entre os jovens músicos boa parte do público do Bar do hotel Plaza, onde Alfredo tocava. A composição, constatou-se depois, era o mais forte prenúncio do que viria a acontecer com a Música Popular Brasileira mais à frente. Influência do jazz, as síncopes e dissonâncias de Rapaz de bem, impressionaram, inclusive no modo como foram cantadas, em que a voz era como se fosse extensão da harmonia. A música foi gravada em 1956. Do outro lado desse disco, havia a também dissonante Céu e mar, também de sua autoria. Era o segundo disco 78 rpm de Johhny Alf, o pianista de bares e restaurantes famosos do Rio de Janeiro de então.
Nascido e criado pela mãe viúva empregada doméstica em Vila Isabel, filho único, como todos os jovens de sua idade, cresceu ouvindo os programas de rádio, principalmente a Rádio Nacional e assistindo aos grandes musicais do cinema. Uma professora de piano, amiga da família, percebeu que o garoto tinha bom ouvido musical e recomendou que estudasse o instrumento. Nos estudos de piano entrou em contato com a música clássica. A formação teórica, a prática do instrumento e o ouvido musical levaram-no a se enveredar pelo repertório de música popular com a criatividade e inquietação marcantes da época. Aquela que ouvia no rádio de então, a brasileira e também a música norte-americana, numa fase particularmente agitada e criativa do jazz – a era do be-bop, no final dos anos 1940.
Ainda jovem, formou com amigos do curso de inglês, um clube para intercâmbio entre música brasileira e música norte-americana, que promovia eventos e contou com membros como os jovens músicos e cantoras Tom Jobim, Dóris Monteiro, Nora Ney, Paulo Moura, João Donato, Luiz Bonfá e Bebeto Castilho. Com a chegada dos EUA do cantor Dick Farney – também associado – o clube tornou-se o histórico clube Sinatra-Farney Fã-Clube. Esse envolvimento dos músicos de então, ansiosos por uma abordagem moderna da música popular brasileira, deflagrou a Bossa-Nova.
Quando a gravação de Rapaz de bem chegou a São Paulo provocou no mesmo público sentimento similar ao havido no Rio, o que despertou o interesse de uma nova casa noturna, a Baiúca que o contratou, levando-o a mudar-se para a cidade. Quando João Gilberto lançou Chega de saudade, lançando a bossa-nova, seu grande precursor não morava no Rio de Janeiro. Elementos presentes em Rapaz de bem podiam ser percebidos em Desafinado, algo natural, pois Newton Mendonça dividia inquietações criativas e o piano do Plaza com Johnny.

Alfredo adotou o nome de Johnny Alf por sugestão de um professor de inglês e começou a se apresentar na noite carioca, nos bares de Copacabana. Seu modo de cantar ia na contramão dos vozeirões, como os novos cantores faziam, mas com estilo próprio, sempre marcante em todas as suas interpretações, seja de músicas próprias, seja de compositores dos anos 30-40, como Noel Rosa, seja de seus contemporâneos como Tom Jobim, de estrelas da MPB como Chico Buarque e Gilberto Gil. Sempre escolheu as músicas com harmonias mais intricadas, sua especialidade. Era capaz de oferecer uma releitura única de sucessos gravados por intérpretes marcantes como Chico Alves e Aracy de Almeida.
Sempre teve noção de que suas músicas eram complexas e, portanto, de difícil assimilação para o grande público, mas ao mesmo tempo por serem diferentes também atraiam fãs, especialmente músicos. Seu maior sucesso, no entanto, tem uma história exemplar.
Compôs a melodia de Eu e a brisa para a cerimônia de casamento de um amigo, que acabou não sendo executada. Tempos depois, soube que a cantora Márcia queria uma música para concorrer no III Festival da Música Popular Brasileira (1967, TV Record). Escreveu a letra e entregou à cantora. Segundo Zuza Homem de Mello, durante o ensaio a música foi ovacionada pelo público composto de técnicos, músicos, compositores e cantores. Num festival particularmente rico artisticamente, com a presença dos melhores nomes da música popular brasileira de então, a música não foi classificada, como não foram tantos outros, hoje, clássicos. Um fator curioso, no entanto, fez com que Eu e a brisa se popularizasse. Flávio Cavalcanti, carioca apresentador popular de TV passou a divulgá-la em seu programa, tornando este o maior sucesso de Johnny.
Seus 67 anos de carreira, foram marcados por apresentações em diversos países e pela realização de discos impecáveis. Caracterizou-se pela imagem do homem solitário, de poucas palavras nas entrevistas e nos shows.
A solidão marcou mais ainda os últimos anos de um pacato Johnny, que não foi ao histórico show do Carneggie Hall em 19621 porque “esqueceu”. De fato, a relação de Johnny era com a música, o que o levava a priorizar outros aspectos, talvez um hábito de inquieto músico da noite, que nunca deixou de produzir, se apresentando em diversos países, inclusive.
Um dos grandes nomes da música popular brasileira que não recebeu o destaque merecido, não por ter sido – é um grande mérito! – o precursor da Bossa-nova, mas essencialmente por ser um prolífero compositor, fiel a seu estilo e cuja modernidade ainda não foi totalmente absorvida.
Viveu os últimos dois anos de sua vida numa casa de repouso em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Declarou que ouvia rock pela manhã, para despertar, mas sua música favorita era a obra Aprés-midi d’um faune de Claude Debussy e, dentre as canções, The Shadow of your smile (Johnny Mandel/Paul F. Webster).
É chamado de o epítome (o que resume, o que serve como modelo ideal) pelo crítico Luis Antônio Giron para quem era “um dos grandes conhecedores de linguagem musical (…) um cantor de alterações harmônicas”.
A melhor definição fica por conta do musicólogo Zuza Homem de Mello, no livro Eis aqui os bossa-nova,: “Johnny Alf foi um verdadeiro desbravador na modernidade da música brasileira, o ídolo dos Bossa-Nova, mais que um precursor. Foi o inspirador que deu aos jovens que frequentavam o bar do Plaza a certeza de que o sonho imaginado poderia ser encontrado, pois sua estética musical – compondo, tocando e cantando – caía como uma luva para suas ansiedades… O mais modesto de todos os vanguardistas na música brasileira” :
Alfredo José da Silva, Rio de Janeiro, 19/05/1929 – São Paulo, 04/03/2010

Fontes e mais sobre Johnny: entrevistas concedidas aos programas  da rádio cultura de Luiz Antonio Giron, A voz popular e de Arrigo Barnabé, Supertônica. e Dicionário Cravo Albin

O carnaval de rua do Rio de Janeiro

A equação que se fecha em 2010 é a de que a festa na rua assume papel de destaque no mercado de “produtos culturais” e requer uma atenção muito maior do poder público do que aquela dispensada até o momento e cuja preocupação prioritária tem sido, tardiamente, organizá-lo e “ordená-lo”, notabilizado que está como um instrumento de “alavancagem de negócios”, apropriando-se da folia coletiva transformando-a em mais um produto deste grande “armazém cultural” que é a cidade do Rio de Janeiro. Serviço público em áreas restritas fazem parte do pacote desses negócios. (…)

(…)” Como os foliões do Cacique, estes buscam o que lhes devota o carnaval dos comuns: o prazer da folia indistinta num espaço único e social que foi, mais uma vez, imperiosamente tomado, pela autêntica alegoria humana que faz o Carnaval carioca.”  Artigo publicado no site MPOST (leia a íntegra)

 

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WALTER ALFAIATE

O cantor e compositor Walter Alfaiate, 79, faleceu às 17:06h deste sábado, vítima de falência múltipla de órgãos. Internado desde o dia 18 de dezembro, Seo Walter sofria de problemas pulmonares e cardíacos.
Morador de Botafogo, foi parceiro, dentre outros moradores do bairro, de Mauro Duarte, tendo iniciado a carreira artística em 1960, partipando de rodas de samba no Teatro Opinião e e dos grupos Reais do Samba (1968) e Os Autênticos, entre os anos de 1966 e 1968, integrado também por Noca da Portela, Adélcio Carvalho, Eli Campos e Mauro Duarte.
O intérprete mais frequente de suas músicas foi Paulinho da Viola, com o qual participou de diveros shows. Seu primeiro disco, Olha aí (Alma Discos) foi lançado, no entanto, em 1998. Em 2003 lançou Samba na medida e em 2005 lançou disco em homenagem ao parceiro Mauro Duarte, ambos pelo selo CPC-Umes. (fonte Dicionário Cravo Albim).
No vídeo, Walter com sua voz potente divide a interpretação de Falso amor sincero (Nelson Sargento), com Dorina, gravada no projeto Casa do Samba.

TIO SAMBA – a batata está assando, prá neguinho dançar

Vem aí o novo CD É Batata!

O Tio Samba, orquestra típica de samba formada em 1998, apresenta um repertório de composições de Noel Rosa, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ary Barroso, Cartola, Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque e outros autores geniais, dando-lhes nova roupagem com arranjos que unem os característicos instrumentos de cordas e percussão dos grupos regionais de samba e choro aos sopros geralmente utilizados nas bandas de música. Conta ainda com dois cantores que atuam também em dueto, em interpretações muitas vezes teatrais e hilariantes. O resultado é uma sonoridade diferenciada, muito vibrante e também sofisticada. Suas apresentações são um convite para a dança e, ao mesmo tempo, um presente para os mais exigentes ouvidos, amantes do samba orquestrado.
O grupo já tocou com grandes compositores e intérpretes do samba, dentre eles, Wilson Moreira, Walter Alfaiate, Delcio Carvalho, Tia Surica e Paulo Marquez, além de ter se apresentado com artistas como Nana Caymmi, Germano Mathias e Luciana Alves. Em seu currículo incluem-se apresentações em diversas casas de espetáculo, destacando-se a Sala Sidney Miller, da Funarte, o Centro Cultural da Light, o Teatro Rival, o Teatro Municipal de Niterói, a Choperia do Sesc-Pompéia, o Centro de Convenções do Anhembi, o Rio Scenarium e o Centro Cultural Carioca. O Tio Samba tem se especializado em projetos homenageando figuras centrais da história de nossa música popular, como Ary Barroso (“Café Zurrapa”, 2003) e Carmen Miranda (“É Batata!”, 2009), por ocasião de seus centenários de nascimento. Em setembro de 2003, o Tio Samba lançou seu primeiro CD, Quero Ver (Ethos Brasil / Tratore), com composições próprias e obras de nomes consagrados do samba. Atualmente, está produzindo o CD É Batata! (Centro Cultural Carioca Discos/Universal), cujo lançamento está previsto para março deste ano.
Algumas faixas já estão disponíveis no myspace do grupo para uma breve degustação.

JOÃO CALLADO @ ALGO A DIZER – dezembro/2009

Leia a íntegra da crítica ao primeiro álbum do músico João Callado no Algo a Dizer.

Algo a Dizer – novembro

Como o malandro Bento Ribeiro de Ney Lopes, Pedro Miranda é importante fragmento de um universo, o do samba, e carrega em si e transmite em seu trabalho moderno os códigos preservados atavicamente, despertando memórias fundamentais para a Música Popular Brasileira e, ao mesmo tempo, para construção de uma história própria desses primeiros sambistas que impulsionaram a chamada revitalização da Lapa enquanto bairro boêmio. (leia a íntegra no site do Algo a Dizer)