Posts Tagged ‘ ORQUESTRA ’

BODEGA, HERÓIS E SANTOS

(no player Água com açúcar)

Como disse na apresentação, este blog se propõe a divulgar os trabalhos de gente desconhecida ou pouco conhecida. Nessa aventura que é navegar em busca do novo, do pouco ouvido, ratifico a impressão de que a grande inquietude do mundo da música está bem mais exposta. Isso não significa, contudo, que esse material esteja acessível nas pesquisas e, principalmente, nos principais órgãos de divulgação de música. Ao mesmo tempo, há outro número, tão grande quanto, de artistas cujo trabalho sequer chegou a ser registrado em sua época, por falta de recursos e tanbém pelo desinteresse dos monopólios do mercado fonográfico.

O projeto do blog é publicar esse material recebido ou pesquisado, sem a preocupação de tornar-se uma agenda, um dicionário (existem ótimos sites para esse fim, alguns linkados aqui). O que importa é apontar a existência do artista de uma forma livre, levando ao conhecimento de um público maior e diferente daquele a que normalmente se dirige, para que o ouvinte faça sua própria avaliação do trabalho apresentado. São heróis e, mesmo santos, que devem ser ouvidos.

A certeza de que o caminho escolhido  é o correto é demonstrada  pelo acesso diário ao post sobre Zé Bodega, o maior saxofonista brasileiro, sobre quem pouco se fala e de quem sequer encontrou-se um filme para postar. Foi transcrito o precioso texto do musicólogo Zuza Homem de Mello, que tornou-se o post com maior número de acessos diários e  totais. São centenas de pessoas que nunca tiveram acesso à informações sobre o músico chegando aqui a partir de pesquisas genéricas via Google.  Registro no player acima  a música Água com açúcar (destacada no texto, com três andamentos cada vez mais rápidos) numa bela interpretação por sugestão do leitor Joselito Rocha.

Outra curiosidade cerca, também,  o blog em inglês dedicado a artistas de outros países. Em junho do ano passado foi postado um texto  sobre o cantor e compositor dinamarquês N*Grandjean ou Nickolaj Grandjean. Poucas informações foram encontradas sobre seu trabalho, exceto o próprio site, e algum material em dinamarquês, sem  qualquer menção sobre seu trabalho no Brasil. Hoje, a música apresentada no post  Heroes and saints –  faz parte da trilha sonora da novela Viver a vida, tema de personagem principal. Coincidência ou não, ratifica que o método está correto.  O projeto, então, segue em frente para ficar melhor, porque a missão ainda não está cumprida.

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TIO SAMBA – a batata está assando, prá neguinho dançar

Vem aí o novo CD É Batata!

O Tio Samba, orquestra típica de samba formada em 1998, apresenta um repertório de composições de Noel Rosa, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ary Barroso, Cartola, Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque e outros autores geniais, dando-lhes nova roupagem com arranjos que unem os característicos instrumentos de cordas e percussão dos grupos regionais de samba e choro aos sopros geralmente utilizados nas bandas de música. Conta ainda com dois cantores que atuam também em dueto, em interpretações muitas vezes teatrais e hilariantes. O resultado é uma sonoridade diferenciada, muito vibrante e também sofisticada. Suas apresentações são um convite para a dança e, ao mesmo tempo, um presente para os mais exigentes ouvidos, amantes do samba orquestrado.
O grupo já tocou com grandes compositores e intérpretes do samba, dentre eles, Wilson Moreira, Walter Alfaiate, Delcio Carvalho, Tia Surica e Paulo Marquez, além de ter se apresentado com artistas como Nana Caymmi, Germano Mathias e Luciana Alves. Em seu currículo incluem-se apresentações em diversas casas de espetáculo, destacando-se a Sala Sidney Miller, da Funarte, o Centro Cultural da Light, o Teatro Rival, o Teatro Municipal de Niterói, a Choperia do Sesc-Pompéia, o Centro de Convenções do Anhembi, o Rio Scenarium e o Centro Cultural Carioca. O Tio Samba tem se especializado em projetos homenageando figuras centrais da história de nossa música popular, como Ary Barroso (“Café Zurrapa”, 2003) e Carmen Miranda (“É Batata!”, 2009), por ocasião de seus centenários de nascimento. Em setembro de 2003, o Tio Samba lançou seu primeiro CD, Quero Ver (Ethos Brasil / Tratore), com composições próprias e obras de nomes consagrados do samba. Atualmente, está produzindo o CD É Batata! (Centro Cultural Carioca Discos/Universal), cujo lançamento está previsto para março deste ano.
Algumas faixas já estão disponíveis no myspace do grupo para uma breve degustação.

FREVO – COMO O DIABO GOSTA!

CD

CD

O frevo surgiu em Recife no final do século XIX, a partir da associação da música a dança. Músicos oriundos de bandas marciais formaram bandas populares que desfilavam em eventos religiosos ou não. Capoeiristas iam à frente abrindo alas para os músicos ou enfrentando as agremiações rivais, como ocorria também nas festas e desfiles no Rio de Janeiro e na Bahia. Os passos da luta se transformavam em passos de dança, para disfarçar as intenções diante da polícia. assim como o guarda-chuvas eram usados como arma. Dessa forma formou-se o conjunto básico do frevo, dançarinos à frente da banda, com passos elásticos e acrobacias, portando sombrinhas coloridas, seguidos por uma multidão dançando empolgada.
Por sua própria necessidade, a composição de um frevo nasce junto com a orquestração, com melodia fortemente sincopada, ao contrário do ritmo que possui poucas síncopes nas partes graves.
Embora seja essencialmente carnavalesco e pressuponha o desfile de rua, o frevo é também executado em salões, com andamento mais lento. Os grandes mestres Capiba e Nelson Ferreira, dentre tantos, compuseram frevos que fizeram sucesso em todo o Brasil, disseminando o gênero que foi explorado por compositores como Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, e sendo interpretado por diversos cantores, como Aracy de Almeida.
Ainda assim, o frevo tem pouca presença nas demais regiões do país. Ano a ano, tanto quanto cresce o carnaval de rua carioca, pela riqueza das orquestrações e pela beleza das músicas tem aumentado a execução de frevos. Um fato relevante e associado à presença, cada vez maior, de orquestras com naipes de metais e percussão (brass-bands) que capitaneiam desfiles de blocos pelas ruas cariocas.
Não é estranho portanto que, no Rio de Janeiro tenha surgido a primeira orquestra de frevo fora de Pernambuco: a Frevo Diabo.
A orquestra é liderada por Daniel Marques, carioca, e Armando Lobo, pernambucano, e conta com Daniel Marques (guitarra/violão), Armando Lobo (voz), Fred Castilho (bateria), Fernando Silva (baixo), Leandro Soares (trompete), Julio Braga e Bernardo Aguiar (percussão), Julio Merlino e Alexandre Bittencourt (sax) e Gilmar Ferreira (trombone).
A formação garante a sonoridade da orquestra e também traz elementos modernos, evidenciados nos arranjos e nas composições do grupo, que poderá ser contatado no primeiro álbum lançado pela Delira Music, que tem nome da orquestra, que é homenagem a um frevo composto por Edu Lobo e Chico Buarque.
São sete músicas de compositores tradicionais como Capiba (Chapéu de Sol Aberto), Levino Ferreira, o maior compositor de frevos-de-rua (Último dia); nomes ligados à MPB como Chico Buarque e Edu Lobo, Não existe pecado ao Sul do Equador (com Rui Guerra), a já citada Frevo Diabo, o frevo-canção Cordão da Saideira e Guinga de quem gravaram Henriquieto. O disco abre com a composição de Armando Lobo Frevo Guarani e se encerra com dois frevos: Enquanto existe Carnaval (Thiago Amud) e a jazzística Carnaval de Perneta (Daniel Marques).
Os arranjos respeitam os elementos tradicionais, introduzindo elementos modernos, muitos já presentes nas ruas do Recife, nos arranjos, quebrando uma certa lógica do gênero. Acordes dissonantes apresentam-se proporcionando uma presença diferente dos metais, o que, no entanto, não altera a natureza dançante do gênero.
A última faixa, definida com jazzística, remete em riqueza musical ao Frevo de autoria de Egberto Gismonti. Com a presença luxuosa de Nicolas Krassik ao violino, a orquestra navega pela música, como se a cada onda um instrumento, ou seção, assumisse o comando em meio à calmaria. O frevo segue normalmente, enquanto os instrumentos em seu solo desenham melodias paralelas, que se reencontram e retomam a melodia original. A alma continua ali, pronta para dançar.
Para comprar: Delira Music ou, claro, nas boas casas do ramo.
ouça aqui

ZÉ BODEGA – o maior saxofonista brasileiro


Procurei um vídeo em que aparecesse este excepcional músico, porém não encontrei. Gostaria de postar algo aqui que ilustrasse o texto de Zuza Homem de Mello que selecionei, para que o leitor tivesse uma noção da sonoridade de Zé Bodega. Sugiro a busca dos discos citados no blog Loronix, cujo link está no texto ou nos links na coluna ao lado. (Áurea Alves)

Zé Bodega (1923-2003), por quem K-Ximbinho nutria admiração, foi, segundo ele, o maior saxofonista brasileiro. Os demais, saxofonistas-tenores ou não, concordam em peso e sem hesitação. Nas incontáveis gravações de que participou acompanhando cantores, ninguém se arriscava a solar depois de Zé Bodega – apelido que vem da infância, quando fingia ser o dono de uma lojinha de brincadeira, a bodega, onde “vendia” areia como se fosse sal. Com menos de dez anos de idade, imitando o pai, formou uma banda, que dirigia com um pedaço de pau pelas ruas de João Pessoa.
O mais tímido dos irmãos de Severino entrou para a Tabajara em 1942, era ótimo clarinetista, atacava as notas com meiguice e fraseava as notas graciosamente soprando quase sem vibrato, com uma personalidade identificável à primeira vista. Teria lugar na galeria dos grandes saxofonistas do jazz. Idolatrava Al Cohn, descendente em linha direta do som cool nascido com Lester Young.
Nos bailes da Tabajara teve por anos um destaque em Jealousy , mas em 1955 Severino decidiu compor um tema específico para mostrar as virtudes do irmão. Aproveitando um exercício de suas aulas de harmonia com o professor Koellreutter, com o tema Água com açúcar em três andamentos cada vez mais rápidos. Na fase dos 78 rotações ele foi solista da Tabajara em diversos choros, como Malicioso e Passou, afora frequentes intervenções na abundante discografia da orquestra. Zé Bodega é o saxofonista que se ouve na famosa gravação de Eliseth Cardoso, Canção do amor, de 1950 (…). Participou com destaque Continue lendo

Como gostamos de funk


Surgido há 10 anos juntos na periferia de São Paulo, dez músicos formaram o Funk Como Le Gusta, com uma aplicada formação musical dedicada ao Funk, ao Samba-Soul e aos ritmos latinos e populares.
A trajetória tem sido marcante, sendo mágicos os encontros criados pela banda e seus ilustres convidados. Inesquecíveis foram as participações especiais de Jorge Benjor, Elza Soares, Gerson King Combo, Fernanda Abreu, Thaíde, DJ Marky, Sandra de Sá, Maria Alcina, Marcelo D2, Seu Jorge e muitos outros. Continue lendo

Siba e a fluroresta

Nascido no Recife, Siba cresceu entre a cidade e o interior. Desde seus primeiros contatos com as tradições da Mata Norte, começou uma longa história de aprendizado e colaboração, exercitando ao longo dos anos os fundamentos da poesia ritmada para se tornar um dos principais mestres da nova geração do maracatu e dos cirandeiros. Ao mesmo tempo, como membro da banda Mestre Ambrósio, desenvolveu um estilo musical inovador e singular, da qual o diálogo entre o tradicional e o contemporâneo são marcas distintas. Continue lendo

Songoro Cosongo


Songoro Cosongo é uma banda formada por músicos do Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile, residentes no Rio de Janeiro. A banda, nascida em agosto de 2005, está há mais de dois anos animando a noite carioca em diferentes casas de shows e eventos artísticos, com seu estilo musical inconfundível: PsicoTropical Musik. Continue lendo

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