Posts Tagged ‘ Choro ’

PAULO MOURA – 1932-2010

No dia 06 de março deste ano, o Centro de Referência da Música Carioca homenageou o músico e maestro Paulo Moura, dando seu nome ao palco-auditório do órgão.

Paulo deu uma canja ao lado os músicos Humberto Araújo (ex-aluno), Carlos Malta e Gabriel Gross. O público presenciou um dos mais belos momentos da música instrumental brasileira proporcionado pelo inesquecível mestre e maestro, que faleceu no último dia 12.

1 x 0 (Pixinguinha), Noites Cariocas (Jacob do Bandolin)

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BODEGA, HERÓIS E SANTOS

(no player Água com açúcar)

Como disse na apresentação, este blog se propõe a divulgar os trabalhos de gente desconhecida ou pouco conhecida. Nessa aventura que é navegar em busca do novo, do pouco ouvido, ratifico a impressão de que a grande inquietude do mundo da música está bem mais exposta. Isso não significa, contudo, que esse material esteja acessível nas pesquisas e, principalmente, nos principais órgãos de divulgação de música. Ao mesmo tempo, há outro número, tão grande quanto, de artistas cujo trabalho sequer chegou a ser registrado em sua época, por falta de recursos e tanbém pelo desinteresse dos monopólios do mercado fonográfico.

O projeto do blog é publicar esse material recebido ou pesquisado, sem a preocupação de tornar-se uma agenda, um dicionário (existem ótimos sites para esse fim, alguns linkados aqui). O que importa é apontar a existência do artista de uma forma livre, levando ao conhecimento de um público maior e diferente daquele a que normalmente se dirige, para que o ouvinte faça sua própria avaliação do trabalho apresentado. São heróis e, mesmo santos, que devem ser ouvidos.

A certeza de que o caminho escolhido  é o correto é demonstrada  pelo acesso diário ao post sobre Zé Bodega, o maior saxofonista brasileiro, sobre quem pouco se fala e de quem sequer encontrou-se um filme para postar. Foi transcrito o precioso texto do musicólogo Zuza Homem de Mello, que tornou-se o post com maior número de acessos diários e  totais. São centenas de pessoas que nunca tiveram acesso à informações sobre o músico chegando aqui a partir de pesquisas genéricas via Google.  Registro no player acima  a música Água com açúcar (destacada no texto, com três andamentos cada vez mais rápidos) numa bela interpretação por sugestão do leitor Joselito Rocha.

Outra curiosidade cerca, também,  o blog em inglês dedicado a artistas de outros países. Em junho do ano passado foi postado um texto  sobre o cantor e compositor dinamarquês N*Grandjean ou Nickolaj Grandjean. Poucas informações foram encontradas sobre seu trabalho, exceto o próprio site, e algum material em dinamarquês, sem  qualquer menção sobre seu trabalho no Brasil. Hoje, a música apresentada no post  Heroes and saints –  faz parte da trilha sonora da novela Viver a vida, tema de personagem principal. Coincidência ou não, ratifica que o método está correto.  O projeto, então, segue em frente para ficar melhor, porque a missão ainda não está cumprida.

JOÃO CALLADO @ ALGO A DIZER – dezembro/2009

Leia a íntegra da crítica ao primeiro álbum do músico João Callado no Algo a Dizer.

Algo a Dizer – novembro

Como o malandro Bento Ribeiro de Ney Lopes, Pedro Miranda é importante fragmento de um universo, o do samba, e carrega em si e transmite em seu trabalho moderno os códigos preservados atavicamente, despertando memórias fundamentais para a Música Popular Brasileira e, ao mesmo tempo, para construção de uma história própria desses primeiros sambistas que impulsionaram a chamada revitalização da Lapa enquanto bairro boêmio. (leia a íntegra no site do Algo a Dizer)

PEDRO MIRANDA lança PIMENTEIRA, novo CD

A geração de sambistas que revitalizaram o gênero na Lapa (Rio de Janeiro) já não pode ser chamada de nova geração. Mais de uma década é passada desde que os primeiros se reuniram em botecos promovendo rodas de samba e choro. E, sim, o veterano Pedro Miranda estava entre estes se apresentando no grupo Semente, no bar pioneiro do mesmo nome, resgastando do “limbo do esquecimento” grandes nomes do samba brasileiro.
Hoje esse grupo de artistas começa a apresentar o próprio trabalho autoral como neste segundo disco de Pedro. Sua voz sem impostação que cometeu duetos perfeitos com Teresa Cristina, dedica-se a composições, com claras referências aos grandes compositores do gênero, mas com a atualidade necessária, afinal são outros tempos.
O show de lançamento será no próximo dia 3, no Teatro Rival, às 19h:30. Para ouvir e obter maiores informações é só visitar a página de Pedro no myspace. O vídeo fica por conta de um dos ótimos duetos com Teresa Cristina. (crítica do CD no Algo a Dizer)

Novos Baianos


Um grupo de jovens baianos, fãs de João Gilberto, Dorival Caymmi, da riqueza musical da época de ouro (1930-40), da Bossa-nova e do ritmo marcante de sua geração, o rock, encontrou-se na Bahia, no mesmo movimento em que estavam Tom Zé e os já emigrados Caetano Veloso e Gilberto Gil.
O Novos Baianos construiram uma sonoridade própria, notadamente na interpretação do samba e associaram a isso, elementos da contra-cultura perceptível nas letras, a qualidade individual de cada um, músicos talentosos, como Pepeu Gomes, compositores como Moraes Moreira e Galvão, boas vozes como a de Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo, além da rica seção de percussão.
Dentre os méritos dos Novos Baianos está o resgate de Assis Valente, pela gravação do então esquecido samba Brasil Pandeiro. A interpretação dessa música de certo modo sintetiza a proposta do grupo: arranjo que mesclava a os elementos de voz e percussão de grupos como Bando da Lua e de João Gilberto, violões executados na base, com direito a riffs, e cavaquinho dialogando com a voz, além do baixo elétrico.

ZÉ BODEGA – o maior saxofonista brasileiro


Procurei um vídeo em que aparecesse este excepcional músico, porém não encontrei. Gostaria de postar algo aqui que ilustrasse o texto de Zuza Homem de Mello que selecionei, para que o leitor tivesse uma noção da sonoridade de Zé Bodega. Sugiro a busca dos discos citados no blog Loronix, cujo link está no texto ou nos links na coluna ao lado. (Áurea Alves)

Zé Bodega (1923-2003), por quem K-Ximbinho nutria admiração, foi, segundo ele, o maior saxofonista brasileiro. Os demais, saxofonistas-tenores ou não, concordam em peso e sem hesitação. Nas incontáveis gravações de que participou acompanhando cantores, ninguém se arriscava a solar depois de Zé Bodega – apelido que vem da infância, quando fingia ser o dono de uma lojinha de brincadeira, a bodega, onde “vendia” areia como se fosse sal. Com menos de dez anos de idade, imitando o pai, formou uma banda, que dirigia com um pedaço de pau pelas ruas de João Pessoa.
O mais tímido dos irmãos de Severino entrou para a Tabajara em 1942, era ótimo clarinetista, atacava as notas com meiguice e fraseava as notas graciosamente soprando quase sem vibrato, com uma personalidade identificável à primeira vista. Teria lugar na galeria dos grandes saxofonistas do jazz. Idolatrava Al Cohn, descendente em linha direta do som cool nascido com Lester Young.
Nos bailes da Tabajara teve por anos um destaque em Jealousy , mas em 1955 Severino decidiu compor um tema específico para mostrar as virtudes do irmão. Aproveitando um exercício de suas aulas de harmonia com o professor Koellreutter, com o tema Água com açúcar em três andamentos cada vez mais rápidos. Na fase dos 78 rotações ele foi solista da Tabajara em diversos choros, como Malicioso e Passou, afora frequentes intervenções na abundante discografia da orquestra. Zé Bodega é o saxofonista que se ouve na famosa gravação de Eliseth Cardoso, Canção do amor, de 1950 (…). Participou com destaque Continue lendo