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Tatiana Parra, por Mauro Dias

Tatiana Parra é, por gasta que seja a expressão, uma rara unanimidade no meio musical paulistano de agora. Quem faz música ou admira ou está envolvido com música sabe de sua afinação e bom gosto, dedicação e seriedade, da graça de seu misto de ingenuidade e malícia. Créditos que são, feitas as contas, indispensáveis a quem queira subir ao palco como porta-voz (e quem precisa de cantora que não seja porta-voz, afinal?).

Tanto assim que o primeiro disco de Tatiana vinha sendo esperado como grande acontecimento. (leia mais)

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TATIANA PARRA


Tatiana Parra é uma paulistana de 27 anos de idade que vem divulgando com especial carinho a produção de jovens músicos do Brasil. Nomes da nova geração como Dani Black, Dani Gurgel, Demétrius Lulo, Giana Viscardi, Luciana Alves, Pedro Altério, Thais Nicodemo, Tó Brandileone e Verônica Ferriani já participaram de seus shows.
Dona de uma voz cristalina, afinação perfeita, presença de palco encantadora e sólida formação musical, Tatiana começou a carreira aos cinco anos, cantando peças publicitárias em diversos estúdios de São Paulo. Gravava jingles e CDs infantis com Hélio Ziskind enquanto seguia nos estudos de piano erudito, tendo chegado a ser premiada em concursos na adolescência. Em 2003, integrou o grupo do violonista e compositor Chico Pinheiro, com quem realizou turnês anuais, tendo participado ainda do segundo disco do artista, Tocador de Violão; apresentou-se, com esse trabalho, acompanhada pela Orquestra Jazz Sinfônica, além de ter participado dos programas Ensaio, Bem Brasil e Radiola, exibidos pela TV Cultura, além do Som Brasil, pela Rede Globo. Sua voz pode ser ouvida ainda em CDs de Theo de Barros, Flávio Henrique, Fábio Torres e Zeli, além dos projetos fonográficos Sobras Repletas, em homenagem a Maurício Tapajós, e Manuscrito Sonoro, de Hermínio Bello de Carvalho.
Versátil, ela participou, também, de espetáculos teatrais (Cazas de Cazuza, em 2000; Em cena, Ações, em 2005; Brechtianas, em 2006) e de shows de artistas como Dante Ozzetti, Toquinho, Rita Lee e da cubana Omara Portuondo, do Buena Vista Social Club. Atuou ainda, com André Mehmari, em um recital voltado para a interpretação de música barroca com instrumentos de época, ao lado do cellista Dimous Goudarolis, em 2006. Em 2007, interpretou canções em homenagem a Elisete Cardoso no programa Mosaicos, exibido pela TV Cultura.
Em agosto do mesmo ano, realizou seu primeiro show solo, com direção musical de André Mehmari. Em fevereiro de 2008 participou das comemorações dos 30 anos do Projeto Pixinguinha, juntamente com André Mehmari e Ivan Lins, tendo se apresentado em 4 capitais nordestinas e Rio de Janeiro. Participou ainda da Virada Cultural Paulistana, em abril, integrando o “Palco das meninas”, bem como da Virada Cultural Paulista, nas cidades de Araraquara e Franca.
Seu interesse pela música latina vem estreitando seus laços com artistas da Argentina, Uruguai, Chile, Veneluela, Peru, Colômbia, México, Cuba, entre outros. Apresentou-se em algumas das principais casas de shows de Buenos Aires, como “Club Lounge” – onde dividiu palco com o Aca Seca Trio -, e “Notorius”. Participou do Festival de Jazz de Mercedes, Uruguai edições de 2008 e 2009) e no Festival de La Plata (Argentina, 2008).
HOJE EM SÃO PAULO Ao Vivo Music – 12/8 – 21 H: Tatiana Parra & Andrés Beeuwsaert & Conrado detalhes em http://www.myspace.com/tatianaparra

OLÍVIA

Cantora, compositora e produtora musical, a paulistana Olivia tem em sua formação piano e canto eruditos, jazz, música oriental, rock, música brasileira. A combinação de todos estes elementos resultou num estilo eclético e ousado, presente em toda sua trajetória.
Assim, em seu disco de estréia (Olivia, 2000) e também em seu segundo CD (Perto, 2003) ela já apresentava sua forte personalidade musical, resultado bem dosado de suas várias influências, saldo favorável de todo seu ecletismo. Há ousadia em seu estilo de compor e de cantar. Não repetindo fórmulas, Olivia trilha novos caminhos, e seu amor pela música mostra-se com clareza em suas interpretações singulares.

Para consolidar a forte influência do jazz e da bossa nova, Olivia apresentou o projeto “Jazzy Stuff”, composto por dois CDs (2por2 e 12), lançados em 2004 e 2005 no Brasil, Japão e Espanha. No repertório, clássicos do jazz, bossa e rock, em versões inusitadas, com arranjos sofisticados para sua voz emocionante e envolvente.
Em seu quinto CD ( Full Bloom, 2007) a artista assinou novamente a produção musical, no estilo folk-rock, usando a tecnologia como parceira na aproximação entre a cantora e o compositor radicado no Texas, Frank Krischman.

“Só a musica faz” (Elefante-d – Tratore) é o sétimo da carreira e o terceiro registro autoral em CD de Olivia, e isso é um ótimo sinal. Pois confirma a expectativa de que alguns artistas independentes conseguem manter-se ativos e além disso, fazer música de boa qualidade. Alheio aos modismos e sucessos propositadamente fabricados que entopem a grande mídia, “Só a música faz” é a artista em seu compromisso firmado com sua própria estética musical. Este trabalho nos traz o registro de compositores pouco conhecidos do grande público como: Ligia Kas, José Luis Marmou, Monalisa Lins e a própria cantora, que abriu mão de regravar compositores consagrados da nossa música. Nada contra, obviamente, mas uma opção condizente com sua própria trajetória que começou em disco em 2000 com trabalho homônimo inteiramente autoral e prosseguiu em 2003 no álbum “Perto”, trazendo também composições inéditas, suas e de Paulo Preto, seu parceiro desde o primeiro CD.
Com linguagem moderna, marcado pela mistura de estilos e tendências, seu novo trabalho apresenta uma sonoridade tão singular quanto sua voz.

Em “Só a música faz” Olivia caminha por baladas, folk e rock, passeando também por ritmos brasileiros; traz harmonias bem elaboradas e belas melodias para cantar versos delicados e marcantes como em “Ausência”: “esse réptil silêncio que rasteja entre as poucas palavras ao chão e um suposto afeto sem perdão”.

Assim, este CD retrata a artista num momento especial de sua carreira. Com melodias agradáveis, letras singelas e produção refinada. Olivia, mais do que uma cantora da nova geração, revela-se artista.
(divulgação)
Para ouvir e contatos: Myspace e www.reverbnation.com/olivia

DONA INAH E O SAMBA DE EDUARDO GUDIN

Ou fazer samba não é contar piada

Conheci Dona Inah em 2001, numa roda de choro no bar do Cidão no bairro paulistano de Pinheiros, um espaço que costuma reunir músicos e cantores de samba e choro, de primeira a ponto de atrair figuras conhecidas como Beth Carvalho.
Dona Inah, preocupava-se com a hora de ser chamada para a canja, pois não podia perder o último ônibus para voltar para casa, na Zona Sul Paulista. Aos 67 anos trazia na bagagem a experiência de cantora da noite, como crooner de orquestras paulistas, como a de Cyro Pereira, e, após o casamento, da árdua batalha pela criação dos filhos, longe da música profissional. Mas ela estava de volta.
Chamou-me a atenção pela voz forte com um quê de Nora Ney, substituindo a dramaticidade desta pela delicadeza. Ainda não há registro, mas foi na voz de Dona Inah que ouvi a melhor interpretação de Cordas de aço (Cartola).
Dois anos depois, lançou seu primeiro disco (Divino samba meu, CPC -UMES, 2004), participando de diversos shows pelo Brasil e no exterior. Ironica, mas merecidamente, recebeu o Prêmio Tim de revelação de 2004.
Dona Inah apresenta, agora, seu segundo álbum, Olha quem chega (Dabliu), dedicado à obra do compositor paulistano Eduardo Gudin que honra com sua obra a definição de Vinícius de Moraes em Samba da benção: “um bom samba é uma forma de oração”.
Um dos grandes compositores de samba, e gravado pelos principais intérpretes do gênero na década de 1970, começou sua carreira no programa de Elis Regina (O Fino da Bossa) e participou dos vários festivais que ocorreram a seguir, inclusive na Bienal do Samba de 1968. Tornou-se parceiro de grandes nomes da música, como Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Roberto Riberti, Paulo Vanzolini e o mais constante Paulo César Pinheiro.
De um total de 260 músicas, Dona Inah selecionou 16 sambas, conferindo-lhes interpretações em que consegue impor seu próprio estilo, sem prejuízo da qualidade de músicas, que tiveram sucesso gravadas originalmente por intérpretes como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Originais do Samba, Márcia, Leila Pinheiro além do Notícias dum Brasil, grupo de Gudin, que teve como vozes de destaque Mônica Salmaso, Renato Brás e Fabiana Cozza. O acompanhamento ficou por conta dos execelentes grupos Quinteto em Branco e Preto e Samba Novo, além de partipações especiais.
As melodias bem delineadas de Gudin parecem ter sido compostas para a voz feminina, tal o detalhe e a delicadeza das frases. Assim, uma voz mais rouca como a de Inah imprime um tom mais simples e dramático, como ocorre, por exemplo, em Mente (com Paulo Vanzolini) gravada de um modo mais dolente por Clara Nunes. Essa simplicidade favorece a audição dos sambas de Gudin, despindo-os de rótulos regionais, chamando a atenção para a qualidade de músicas que passam ao largo, por exemplo, de rodas de samba, mas que representam o melhor desse gênero nacional.
Para comprar o disco: Dabliu , nas boas lojas do ramo ou com a própria cantora em suas apresentações às terças feiras, às 22:00 h no Bar Ó do Borogodó (rua Horácio Lane, 21 – São Paulo).

Vale conferir a página de Dona Inah   e comprar o disco no site da Dabliu , nas boas lojas do ramo ou com a própria cantora em suas apresentações.  Mais sobre Dona Inah no artigo de Daniel Brazil.

LADRÃO EM CASA DE POBRE (Jorge Costa)

14 BIS (Eduardo Gudin)