Quem é Fábio Cadore?

Recebi a divulgação de um show deste cantor, dentro do Projeto Onde estão Eles, no SESC – Pinheiros em São Paulo (16/07 às 20h). O projeto dedica-se a apresentar as novas vozes masculinas da Música Popular Brasileira, em contraposição ao mito de que o Basil é um país só de grandes cantoras.
O projeto é bastante interessante, e permitirá conhecer algumas vozes paulistas. Como a deste cantor e compositor. que me surpreendeu, claro, pela voz e pelas composições. Vale assistir o vídeo abaixo em que Fabio fala sobre seu trabalho.

Para ouvir e conhecer mais de seu repertório, vale visitar o site do cantor

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Galocantô

Show de lançamento no Teatro Rival

Show de lançamento no Teatro Rival

Com o primeiro CD Fina Batucada, lançado em 2006, o Galocantô se estabeleceu como um dos principais grupos de samba da atualidade, indicado ao Prêmio Tim 2007, na categoria “Melhor Grupo de Samba”.

Sucesso de crítica e público, das 18 composições de Fina Batucada, 11 são de autoria de integrantes do grupo, formado por Rodrigo Carvalho (voz principal e percussão), Pedro Arêas, Léo Costinha, Edson Cortes e Lula Matos (todos estes voz e percussão), Pablo Amaral (voz e cavaco) e Marcelo Correia (voz e violão de 7). Ouça aqui a faixa Fina Batucada! Continue lendo

A ÁFRICA MANDA

FELA KUTI
(trecho da música Expensive Shit, do álbum do mesmo nome, 1976)

A Nigéria é o país mais populoso da África com mais de 141 milhões de habitantes, conforme estimativa da ONU em 2006.  Um dos maiores produtores de petróleo do mundo é um país marcado por violentos e sucessivos conflitos políticos, miséria e pela AIDS, endêmica.  Em menos de vinte anos, a Nigéria tornou-se o segundo maior produtor de cinema do mundo, ficando atrás da Índia e à frente dos Estados Unidos. Com o detalhe de que a produção é realizada em vídeo para uso doméstico no país que praticamente não possui salas de cinema. Sem dúvida,  esse país é suficiente para prover tratados e pesquisas nos vários ramos das Ciências Humanas,  por décadas, para entender-se tamanhas idiossincrasias.

Essa brevíssima contextualização é necessária situar um fenômeno musical importante surgido a partir da Nigéria.

Foi em 1968 que um nigeriano, Fela Anikulapo Kuti, nascido em Abeokuta (1938) apresentou o afro-beat. Após uma tournê pelos Estados Unidos, o trumpetista, cantor, tecladista, maestro retornou à Nigéria apresentando uma sonoridade complexa que associava os ritmos e cantos africanos ao jazz, com letras engajadas em pidgrin Nigeriano e eventualmente em yoruba. Continue lendo

RAUL DE BARROS – NA GLÓRIA!

A música brasileira perdeu, na tarde de ontem,  um de seus grandes trombonistas, Raul de Barros, aos 93 anos, em decorrência de enfisema pulmonar e insuficiência renal.  Seu maior sucesso é o clássico samba-choro Na Glória, executado em qualquer roda de choro.

raul-de-barros

Raul era um dos mais tradicionais trombonistas de gafieira. Aos 8 anos de idade já tocava sax horn, inciando a carreira na década de 1930, Tocou nas orquestras das principais emissoras de rádio, destacando-se a da Rádio Nacional e na famosa Orquestra da gravadora RCA Victor, sob o comando de Pixinhguinha.
Tocou em vários países do mundo e influenciou outros músicos, especialmente o trombonista Raul de Souza. Nos últimos anos vivia em Maricá, Rio de Janeiro, no ostracismo que costuma vitimar nossos grandes nomes, em especial da música instrumental.
NA GLÓRIA, com Silvio Giannetti no trombone acompanhado pelo grupo Sururu na Roda.

DONA INAH E O SAMBA DE EDUARDO GUDIN

Ou fazer samba não é contar piada

Conheci Dona Inah em 2001, numa roda de choro no bar do Cidão no bairro paulistano de Pinheiros, um espaço que costuma reunir músicos e cantores de samba e choro, de primeira a ponto de atrair figuras conhecidas como Beth Carvalho.
Dona Inah, preocupava-se com a hora de ser chamada para a canja, pois não podia perder o último ônibus para voltar para casa, na Zona Sul Paulista. Aos 67 anos trazia na bagagem a experiência de cantora da noite, como crooner de orquestras paulistas, como a de Cyro Pereira, e, após o casamento, da árdua batalha pela criação dos filhos, longe da música profissional. Mas ela estava de volta.
Chamou-me a atenção pela voz forte com um quê de Nora Ney, substituindo a dramaticidade desta pela delicadeza. Ainda não há registro, mas foi na voz de Dona Inah que ouvi a melhor interpretação de Cordas de aço (Cartola).
Dois anos depois, lançou seu primeiro disco (Divino samba meu, CPC -UMES, 2004), participando de diversos shows pelo Brasil e no exterior. Ironica, mas merecidamente, recebeu o Prêmio Tim de revelação de 2004.
Dona Inah apresenta, agora, seu segundo álbum, Olha quem chega (Dabliu), dedicado à obra do compositor paulistano Eduardo Gudin que honra com sua obra a definição de Vinícius de Moraes em Samba da benção: “um bom samba é uma forma de oração”.
Um dos grandes compositores de samba, e gravado pelos principais intérpretes do gênero na década de 1970, começou sua carreira no programa de Elis Regina (O Fino da Bossa) e participou dos vários festivais que ocorreram a seguir, inclusive na Bienal do Samba de 1968. Tornou-se parceiro de grandes nomes da música, como Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Roberto Riberti, Paulo Vanzolini e o mais constante Paulo César Pinheiro.
De um total de 260 músicas, Dona Inah selecionou 16 sambas, conferindo-lhes interpretações em que consegue impor seu próprio estilo, sem prejuízo da qualidade de músicas, que tiveram sucesso gravadas originalmente por intérpretes como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Originais do Samba, Márcia, Leila Pinheiro além do Notícias dum Brasil, grupo de Gudin, que teve como vozes de destaque Mônica Salmaso, Renato Brás e Fabiana Cozza. O acompanhamento ficou por conta dos execelentes grupos Quinteto em Branco e Preto e Samba Novo, além de partipações especiais.
As melodias bem delineadas de Gudin parecem ter sido compostas para a voz feminina, tal o detalhe e a delicadeza das frases. Assim, uma voz mais rouca como a de Inah imprime um tom mais simples e dramático, como ocorre, por exemplo, em Mente (com Paulo Vanzolini) gravada de um modo mais dolente por Clara Nunes. Essa simplicidade favorece a audição dos sambas de Gudin, despindo-os de rótulos regionais, chamando a atenção para a qualidade de músicas que passam ao largo, por exemplo, de rodas de samba, mas que representam o melhor desse gênero nacional.
Para comprar o disco: Dabliu , nas boas lojas do ramo ou com a própria cantora em suas apresentações às terças feiras, às 22:00 h no Bar Ó do Borogodó (rua Horácio Lane, 21 – São Paulo).

Vale conferir a página de Dona Inah   e comprar o disco no site da Dabliu , nas boas lojas do ramo ou com a própria cantora em suas apresentações.  Mais sobre Dona Inah no artigo de Daniel Brazil.

LADRÃO EM CASA DE POBRE (Jorge Costa)

14 BIS (Eduardo Gudin)

SÃO PAULO UNDERGROUND

The principle of  intrusive relationship (Submarine Reconds) segundo álbum do grupo brasileiro São Paulo Underground foi eleito o melhor do ano de 2008 pela revista inglesa The Wire. Considerada a bíblia mundial da música improvisada, a revista promoveu a escolha a partir dos votos de 50 críticos especializados europeus e norte-americanos.

A banda foi criada em 2005 pelo trompetista norte-americano Rob Mazurek e três músicos paulistanos: Mauricio Takara (bateria) Guilherme Granado (percussão, samplers e teclados) e Richard Ribeiro (segunda bateria). Improvisando, combinando sons e idéias o trabalho do grupo procura aproximar-se da realidade da metrópole, registrando suas contradições e seus limites intangíveis. Como todo trabalho novo e experimental, no entanto, está à margem do rio corrente do grande público. Pior, segue ao lado de seus pares, sem agrupar a um público que se interesse pela estranheza provocada por essas e outras novas reflexões na música. Vale conferir o  artigo de João Marcos Coelho  publicado no jornal Estado de São Paulo. O incômodo é necessário para sair-se da letargia.