Archive for the ‘ Samba ’ Category

WALTER ALFAIATE

O cantor e compositor Walter Alfaiate, 79, faleceu às 17:06h deste sábado, vítima de falência múltipla de órgãos. Internado desde o dia 18 de dezembro, Seo Walter sofria de problemas pulmonares e cardíacos.
Morador de Botafogo, foi parceiro, dentre outros moradores do bairro, de Mauro Duarte, tendo iniciado a carreira artística em 1960, partipando de rodas de samba no Teatro Opinião e e dos grupos Reais do Samba (1968) e Os Autênticos, entre os anos de 1966 e 1968, integrado também por Noca da Portela, Adélcio Carvalho, Eli Campos e Mauro Duarte.
O intérprete mais frequente de suas músicas foi Paulinho da Viola, com o qual participou de diveros shows. Seu primeiro disco, Olha aí (Alma Discos) foi lançado, no entanto, em 1998. Em 2003 lançou Samba na medida e em 2005 lançou disco em homenagem ao parceiro Mauro Duarte, ambos pelo selo CPC-Umes. (fonte Dicionário Cravo Albim).
No vídeo, Walter com sua voz potente divide a interpretação de Falso amor sincero (Nelson Sargento), com Dorina, gravada no projeto Casa do Samba.

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TIO SAMBA – a batata está assando, prá neguinho dançar

Vem aí o novo CD É Batata!

O Tio Samba, orquestra típica de samba formada em 1998, apresenta um repertório de composições de Noel Rosa, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ary Barroso, Cartola, Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque e outros autores geniais, dando-lhes nova roupagem com arranjos que unem os característicos instrumentos de cordas e percussão dos grupos regionais de samba e choro aos sopros geralmente utilizados nas bandas de música. Conta ainda com dois cantores que atuam também em dueto, em interpretações muitas vezes teatrais e hilariantes. O resultado é uma sonoridade diferenciada, muito vibrante e também sofisticada. Suas apresentações são um convite para a dança e, ao mesmo tempo, um presente para os mais exigentes ouvidos, amantes do samba orquestrado.
O grupo já tocou com grandes compositores e intérpretes do samba, dentre eles, Wilson Moreira, Walter Alfaiate, Delcio Carvalho, Tia Surica e Paulo Marquez, além de ter se apresentado com artistas como Nana Caymmi, Germano Mathias e Luciana Alves. Em seu currículo incluem-se apresentações em diversas casas de espetáculo, destacando-se a Sala Sidney Miller, da Funarte, o Centro Cultural da Light, o Teatro Rival, o Teatro Municipal de Niterói, a Choperia do Sesc-Pompéia, o Centro de Convenções do Anhembi, o Rio Scenarium e o Centro Cultural Carioca. O Tio Samba tem se especializado em projetos homenageando figuras centrais da história de nossa música popular, como Ary Barroso (“Café Zurrapa”, 2003) e Carmen Miranda (“É Batata!”, 2009), por ocasião de seus centenários de nascimento. Em setembro de 2003, o Tio Samba lançou seu primeiro CD, Quero Ver (Ethos Brasil / Tratore), com composições próprias e obras de nomes consagrados do samba. Atualmente, está produzindo o CD É Batata! (Centro Cultural Carioca Discos/Universal), cujo lançamento está previsto para março deste ano.
Algumas faixas já estão disponíveis no myspace do grupo para uma breve degustação.

Algo a Dizer – novembro

Como o malandro Bento Ribeiro de Ney Lopes, Pedro Miranda é importante fragmento de um universo, o do samba, e carrega em si e transmite em seu trabalho moderno os códigos preservados atavicamente, despertando memórias fundamentais para a Música Popular Brasileira e, ao mesmo tempo, para construção de uma história própria desses primeiros sambistas que impulsionaram a chamada revitalização da Lapa enquanto bairro boêmio. (leia a íntegra no site do Algo a Dizer)

RODA DE SAMBA PAULISTA – Projeto nosso samba

A brincadeira de Vinícius de Moraes que taxou São Paulo como o túmulo do samba é mais um exemplo da arte carioca de não perder a piada. O poeta conhecia muito bem os redutos musicais da cidade e tinha contato com seus grandes sambistas. Sabia da relação da metrópole com a diversidade musical e com o nível de expressividade do gênero ali. Foi uma boa provocação dirigida à cidade que sempre viveu bem com o samba, mesmo nos momentos em que o gênero andou esquecido.
Tanto quanto a Lapa carioca retomou seu espaço de bairro boêmio graças aos sambistas que se reuniam nos antigos botecos, bairros paulistanos como a Vila Madalena viram surgir, primeiro botecos, e depois inúmeras casas dedicadas ao samba, que já resistia na periferia paulistana.
Muitas dessas rodas têm assumido a forma de projetos onde fãs, compositores, intérpretes e músicos se dedicam periodicamente ao samba sem o compromisso material, pelo grande prazer de cantar e sambar. Ao mesmo tempo, encampam projetos sociais sempre ligados à cultura, especialmente à afro-brasileira.
Já tratamos aqui dos paulistanos Samba da Vela e do Terreiro Grande. Outro bom exemplo é o Movimento Cultural Projeto Nosso Samba que se reúne quinzenalmente no município de Osasco, região metropolitana, a partir do encontro de um grupo de 40 amigos que se encontra desde setembro de 1998, conforme seu site. Além de cantarem músicas de autores representativos do gênero, apresentam composições de paulistanos, criando com isso um espaço de repercussão do novo. A próxima roda acontecerá em 22/11 às 16:00 h (entrada franca), na Casa de Cultura Afro-Brasileira Casa de Angola.
Na celebração dos 11 anos do projeto foi editado um caderno especial que pode ser lido no site ou no blog.
da galera.

Composições de integrantes do movimento: Pedra na Cruz (Selito SD) e Maré Brava (Ari bicudo).

MORRE SEO EDIR DA VELHA GUARDA DA PORTELA

Seo Edir Gomes, compositor e cantor da Velha Guarda da Portela, faleceu nesta 4a. feira de causa ainda não informada pela família. Também não foram divulgadas informações sobre o velório e enterro do sambista.

Seo Edir foi um dos autores de sambas enredos portelenses como  “O homem do Pacoval” (1976) e “Recordar é viver”(1985).

Esta é a terceira perda ocorrida neste ano sofirda pelo  histórico grupo de sambistas organizado por Paulinho da Viola, e paradigma indiscutível do samba de hoje. No começo do ano morreram Casemiro da Cuíca e a pastora Doca.

VOLTA (Manacéia)

Uma coleção de obras-primas

por Caetano Veloso

Há muito tempo não ouço um disco inteiro com tanto entusiasmo no coração quanto esse ‘Pimenteira’. Acho que ouvi Pedro Miranda pela primeira vez numa faixa do CD de Teresa Cristina – e fiquei maravilhado com a musicalidade, a cultura entranhada, a naturalidade, o frescor. Comuniquei meu entusiasmo a Moreno e ele me disse que conhecia Pedro: logo eu estava com o primeiro CD de Pedro nas mãos. O CD confirmava a muito boa impressão causada pela faixa no disco de Teresa. De modo que, agora, quando ele me entregou uma cópia do seu novo disco, eu já me pus em alta expectativa. Mas não imaginava que estivesse diante de um trabalho de tamanho fôlego. Considero este um disco de grande artista. É um disco fácil de ouvir, maneiro, agradável, porém tem força histórica intensa e convida a reflexões complexas e tão profundas que nem a deliciosa paródia de texto acadêmico que vem no encarte (a respeito da alegoria deliberadamente ingênua de Edu Krieger, “Coluna Social”), poderia satirizar.

Para começar, o estilo despojado do cantor, sem afetação, sem tiques nenhuns, dá conta de toda a possível cultura crítica atual relativa ao canto popular brasileiro. Voz maleável, incrivelmente confortável nas regiões agudas, ele mostra destreza e agilidade sem que se perceba esforço de sua parte. E o fraseado revela reverência e familiaridade com a história do samba. Mas é a escolha do repertório que ilumina as virtudes do seu estilo. Esse repertório (para cuja feitura ele agradece a colaboração de Cristina Buarque e Paulão 7 Cordas) diz tudo sobre o que deve ser dito a respeito do que vem acontecendo com o samba, desde que este se tornou emblema da musicalidade brasileira (“O mito é o nada que é tudo”), passando pelo furacão camuflado que foi a bossa nova, e pela sua recolocação no ambiente que o forjou: a boemia que transita entre certos morros e certas áreas do asfalto carioca. Essa recolocação teve como marco inicial a virada que significou, no meio dos anos 1960, coincidirem as insatisfações de Nara Leão com o surgimento do Zicartola, o início das atividades de compositor de Chico Buarque em São Paulo e o estrelato conjunto de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus no Rosa de Ouro. Todos os desdobramentos – de Beth Carvalho ao Art Popular, de Zeca Pagodinho ao Psirico, de Arlindo Cruz a Roberta Sá – estão homenageados nesse álbum coeso, sincero e de grande visão.

O arco de compositores vai de Nelson Cavaquinho a Rubinho Jacobina – e, no entanto, a unidade de visão faz de ‘Pimenteira’ uma obra autoral de Pedro Miranda. As melodias, em geral com sabor de choro a caminho da gafieira (mas sem deixar de fora nem a chula baiana nem o coco nordestino), sustentam um virtuosismo poético que, por força da perspectiva da escolha do material (e da ordem em que ele vem), sugere um gosto pessoal, a um tempo apurado, exigente e espontâneo, que atravessa todo o disco. Dos versos elegantes de Paulo César Pinheiro para a música rica de Mauricio Carrilho (com ecos de Bororó) ao fascinante jogo embaralhado de imagens atuais no samba de Moyseis Marques, passando pela “Imagem”, de Trambique e Wilson das Neves, e pelo show de bola de Elton Medeiros e Afonso Machado, tudo em ‘Pimenteira’ transpira grande talento guiado por grande inteligência. O disco fala de tudo o que fala como Nei Lopes fala (na única nota de encarte que não foi escrita por Pedro e Luís Filipe) da série de mulatos que compõem a figura de Compadre Bento: com admiração e intimidade.

Terminei citando muitos dos sambas do disco, mas não é por os achar menos interessantes que não citei alguns: todos são de alta extração, todos fazem o CD soar como uma coleção de obras-primas. O que faz com que esse disco ao mesmo tempo pareça o lançamento de um novo autor e uma antologia de clássicos. Na verdade é o disco que já nasce antológico. A colaboração de Luís Filipe de Lima é decisiva na definição dos arranjos e da sonoridade. Sobre ele (e os demais colaboradores musicais e técnicos) Pedro fala melhor do que eu poderia, nas palavras de agradecimento que escreveu. Quanto a mim, sou mais levado a considerar que a oportunidade foi uma dádiva que Pedro lhes fez.

Eu sempre sou citado como elogiador fácil de moças jovens bonitas que cantam samba. Nunca as elogiei sem que achasse justo fazê-lo. Dizer aqui que o CD de um marmanjo, que nem tipo gatinho é, é algo muito mais importante do que o que essas ninfas têm, em conjunto, alcançado deve dar uma ideia do quanto considero ‘Pimenteira’ um evento especial em nossa música. E, de quebra, pode dar mais credibilidade aos elogios que faço às moças.
(divulgação)

PEDRO MIRANDA lança PIMENTEIRA, novo CD

A geração de sambistas que revitalizaram o gênero na Lapa (Rio de Janeiro) já não pode ser chamada de nova geração. Mais de uma década é passada desde que os primeiros se reuniram em botecos promovendo rodas de samba e choro. E, sim, o veterano Pedro Miranda estava entre estes se apresentando no grupo Semente, no bar pioneiro do mesmo nome, resgastando do “limbo do esquecimento” grandes nomes do samba brasileiro.
Hoje esse grupo de artistas começa a apresentar o próprio trabalho autoral como neste segundo disco de Pedro. Sua voz sem impostação que cometeu duetos perfeitos com Teresa Cristina, dedica-se a composições, com claras referências aos grandes compositores do gênero, mas com a atualidade necessária, afinal são outros tempos.
O show de lançamento será no próximo dia 3, no Teatro Rival, às 19h:30. Para ouvir e obter maiores informações é só visitar a página de Pedro no myspace. O vídeo fica por conta de um dos ótimos duetos com Teresa Cristina. (crítica do CD no Algo a Dizer)