Archive for the ‘ Bossa Nova ’ Category

AVA ARAUJO

Ava Araujo é cantora, e compositora. Mezzo contralto, imprime emoção e sentimento, técnica vocal e sensibilidade para interpretar as canções que seleciona para seus shows. Ava Araujo é um músico no mais complexo sentido da palavra e também no mais simples sentido dela. Esbanja técnica vocal quando o assunto é improvisação e conhecimento harmônico e melódico. Utiliza sua voz como mais um elemento a ser explorado por seu trabalho. Sua voz é um instrumento a mais na concepção da música que faz e ao mesmo tempo é o elemento mais importante para interpretação dos temas e compositores que escolhe para trabalhar, propiciando uma interatividade musical e uma simbiose em cena raramente vista em cantoras brasileiras contemporâneas.

Nascida em Vila Velha, quando adolescente foi viver na América Central. De volta ao Brasil, fixou residência em Brasília por quase 15 anos. Com discos lançados e o terceiro em fase de elaboração, Ava Araujo iniciou sua trajetória nos anos noventa com aulas de violão popular pelo renomado professor Everaldo Pinheiro, integrante da banda que acompanhou Johnny Alf por muitos anos. Na Escola de Música do Espírito santo – ligada ao Conservatório de Música do Rio de Janeiro, cursou canto popular e teoria musical e participou de vários outros cursos, workshops e oficinas de canto e música brasileira na EM&T e UVV – Universidade de Vila Velha, no Espírito Santo e Escola de Música de Brasília. Trabalhou com músicos renomados como Cliff Korman, Filó Machado, Guinga. (do BLOG da cantora)


Ele, a brisa e a modéstia de um vanguardista

Nunca ninguém neste país, até aquele ano de 1953, havia feito algo na música popular como aquele mulato fizera ao piano. O instrumento parecia cercar a voz, abandonando o ritmo, desvinculado do contra-baixo e da bateria. A música causou comoção entre os jovens músicos boa parte do público do Bar do hotel Plaza, onde Alfredo tocava. A composição, constatou-se depois, era o mais forte prenúncio do que viria a acontecer com a Música Popular Brasileira mais à frente. Influência do jazz, as síncopes e dissonâncias de Rapaz de bem, impressionaram, inclusive no modo como foram cantadas, em que a voz era como se fosse extensão da harmonia. A música foi gravada em 1956. Do outro lado desse disco, havia a também dissonante Céu e mar, também de sua autoria. Era o segundo disco 78 rpm de Johhny Alf, o pianista de bares e restaurantes famosos do Rio de Janeiro de então.
Nascido e criado pela mãe viúva empregada doméstica em Vila Isabel, filho único, como todos os jovens de sua idade, cresceu ouvindo os programas de rádio, principalmente a Rádio Nacional e assistindo aos grandes musicais do cinema. Uma professora de piano, amiga da família, percebeu que o garoto tinha bom ouvido musical e recomendou que estudasse o instrumento. Nos estudos de piano entrou em contato com a música clássica. A formação teórica, a prática do instrumento e o ouvido musical levaram-no a se enveredar pelo repertório de música popular com a criatividade e inquietação marcantes da época. Aquela que ouvia no rádio de então, a brasileira e também a música norte-americana, numa fase particularmente agitada e criativa do jazz – a era do be-bop, no final dos anos 1940.
Ainda jovem, formou com amigos do curso de inglês, um clube para intercâmbio entre música brasileira e música norte-americana, que promovia eventos e contou com membros como os jovens músicos e cantoras Tom Jobim, Dóris Monteiro, Nora Ney, Paulo Moura, João Donato, Luiz Bonfá e Bebeto Castilho. Com a chegada dos EUA do cantor Dick Farney – também associado – o clube tornou-se o histórico clube Sinatra-Farney Fã-Clube. Esse envolvimento dos músicos de então, ansiosos por uma abordagem moderna da música popular brasileira, deflagrou a Bossa-Nova.
Quando a gravação de Rapaz de bem chegou a São Paulo provocou no mesmo público sentimento similar ao havido no Rio, o que despertou o interesse de uma nova casa noturna, a Baiúca que o contratou, levando-o a mudar-se para a cidade. Quando João Gilberto lançou Chega de saudade, lançando a bossa-nova, seu grande precursor não morava no Rio de Janeiro. Elementos presentes em Rapaz de bem podiam ser percebidos em Desafinado, algo natural, pois Newton Mendonça dividia inquietações criativas e o piano do Plaza com Johnny.

Alfredo adotou o nome de Johnny Alf por sugestão de um professor de inglês e começou a se apresentar na noite carioca, nos bares de Copacabana. Seu modo de cantar ia na contramão dos vozeirões, como os novos cantores faziam, mas com estilo próprio, sempre marcante em todas as suas interpretações, seja de músicas próprias, seja de compositores dos anos 30-40, como Noel Rosa, seja de seus contemporâneos como Tom Jobim, de estrelas da MPB como Chico Buarque e Gilberto Gil. Sempre escolheu as músicas com harmonias mais intricadas, sua especialidade. Era capaz de oferecer uma releitura única de sucessos gravados por intérpretes marcantes como Chico Alves e Aracy de Almeida.
Sempre teve noção de que suas músicas eram complexas e, portanto, de difícil assimilação para o grande público, mas ao mesmo tempo por serem diferentes também atraiam fãs, especialmente músicos. Seu maior sucesso, no entanto, tem uma história exemplar.
Compôs a melodia de Eu e a brisa para a cerimônia de casamento de um amigo, que acabou não sendo executada. Tempos depois, soube que a cantora Márcia queria uma música para concorrer no III Festival da Música Popular Brasileira (1967, TV Record). Escreveu a letra e entregou à cantora. Segundo Zuza Homem de Mello, durante o ensaio a música foi ovacionada pelo público composto de técnicos, músicos, compositores e cantores. Num festival particularmente rico artisticamente, com a presença dos melhores nomes da música popular brasileira de então, a música não foi classificada, como não foram tantos outros, hoje, clássicos. Um fator curioso, no entanto, fez com que Eu e a brisa se popularizasse. Flávio Cavalcanti, carioca apresentador popular de TV passou a divulgá-la em seu programa, tornando este o maior sucesso de Johnny.
Seus 67 anos de carreira, foram marcados por apresentações em diversos países e pela realização de discos impecáveis. Caracterizou-se pela imagem do homem solitário, de poucas palavras nas entrevistas e nos shows.
A solidão marcou mais ainda os últimos anos de um pacato Johnny, que não foi ao histórico show do Carneggie Hall em 19621 porque “esqueceu”. De fato, a relação de Johnny era com a música, o que o levava a priorizar outros aspectos, talvez um hábito de inquieto músico da noite, que nunca deixou de produzir, se apresentando em diversos países, inclusive.
Um dos grandes nomes da música popular brasileira que não recebeu o destaque merecido, não por ter sido – é um grande mérito! – o precursor da Bossa-nova, mas essencialmente por ser um prolífero compositor, fiel a seu estilo e cuja modernidade ainda não foi totalmente absorvida.
Viveu os últimos dois anos de sua vida numa casa de repouso em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Declarou que ouvia rock pela manhã, para despertar, mas sua música favorita era a obra Aprés-midi d’um faune de Claude Debussy e, dentre as canções, The Shadow of your smile (Johnny Mandel/Paul F. Webster).
É chamado de o epítome (o que resume, o que serve como modelo ideal) pelo crítico Luis Antônio Giron para quem era “um dos grandes conhecedores de linguagem musical (…) um cantor de alterações harmônicas”.
A melhor definição fica por conta do musicólogo Zuza Homem de Mello, no livro Eis aqui os bossa-nova,: “Johnny Alf foi um verdadeiro desbravador na modernidade da música brasileira, o ídolo dos Bossa-Nova, mais que um precursor. Foi o inspirador que deu aos jovens que frequentavam o bar do Plaza a certeza de que o sonho imaginado poderia ser encontrado, pois sua estética musical – compondo, tocando e cantando – caía como uma luva para suas ansiedades… O mais modesto de todos os vanguardistas na música brasileira” :
Alfredo José da Silva, Rio de Janeiro, 19/05/1929 – São Paulo, 04/03/2010

Fontes e mais sobre Johnny: entrevistas concedidas aos programas  da rádio cultura de Luiz Antonio Giron, A voz popular e de Arrigo Barnabé, Supertônica. e Dicionário Cravo Albin

PIANO DUO

O Duo é a realização de um projeto pianístico de Carlos Roberto de Oliveira e Eva Gomyde que procura explorar toda a potencialidade melódica, harmônica, rítmica, percussiva e também orquestral que o piano proporciona.
O trabalho é dirigido no sentido de tirar proveito da riqueza da Musica Popular Brasileira, que, com toda a sua diversidade, proporciona arranjos elaborados pelos próprios pianistas com os mais variados matizes sonoros, que o Duo procura ressaltar.
Entre os compositores brasileiros destacam-se temas de Tom Jobim, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Dom Salvador, Ivan Lins, etc, como também temas dos próprios pianistas.
Quanto à execução, as suas formações clássica e jazzística lhes permitem desenvolver um trabalho musical na busca de um aprimoramento da sonoridade e da dinâmica pianística.
Trabalho inédito no Brasil, esse Duo de pianos representa um desafio aos artistas na medida em que as mais variadas dificuldades tem que ser superadas, passando pela realização dos arranjos com roupagem moderna até a disponibilidade de salas que acomodem os instrumentos.
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