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ABAYOMY AFROBEAT ORQUESTRA

ABAYOMYé uma palavra de origem Iorubá, que significa “encontro feliz”. De fato,não haveria expressão conseguisse traduzir melhor a essência da ABAYOMY AFROBEAT ORQUESTRA.

O grupo nasceu no aniversário do mestre Fela Kuti, especialmente para a primeira edição do FELA DAY – Evento internacional que celebra o nascimento do nigeriano criador doAfrobeat no Rio de Janeiro.
Da qualidade no encontro festivo de amigos admiradores de Fela Kuti, a surgiu necessidade de dar continuidade a Orquestra para aproveitar este legado musical que está tão presente no trabalho de diversos artistas brasileiros e ao mesmo tempo é tão pouco explorado.

A Abayomy é formada por 12 músicos que movimentam a cena carioca e tem como base criativa a música dos mais diferentes estilos: Fábio Lima (Sax Tenor), Mônica Ávila (Sax Alto), Leandro Joaquim (Trompete), Marco Serragrande (Trombone), Donatinho (Teclados), Gustavo Benjão (Guitarra), Victor Gottardi (Guitarra), Pedro Dantas (Baixo), Alexandre Garnizé (Percussão), Cláudio Fantinato (Percussão), Rodrigo La Rosa (Percussão), Thomas Harres (Bateria) abusam de suas referências brasileiras e genialidade em arranjos vivos, calcados na força doafrobeat, com suas levadas hipnóticas, de grooves infinitos.

Em seu repertório, além de composições próprias e covers de clássicos do afrobeat, não faltam versões para composições de artistas como Jorge Ben, Marku Ribas, Antônio Carlos & Jocafi, Moacir Santos e outros diretamente inspirados nas raízes rítmicas africanas.

O Show é um verdadeiro passeio por essas sonoridades marcantes. Passeio em que tanto o público quanto os integrantes da ABAYOMY AFROBEAT ORQUESTRA criam, através da música, um caminho que os conduz diretamente à África.

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PAULO MOURA – 1932-2010

No dia 06 de março deste ano, o Centro de Referência da Música Carioca homenageou o músico e maestro Paulo Moura, dando seu nome ao palco-auditório do órgão.

Paulo deu uma canja ao lado os músicos Humberto Araújo (ex-aluno), Carlos Malta e Gabriel Gross. O público presenciou um dos mais belos momentos da música instrumental brasileira proporcionado pelo inesquecível mestre e maestro, que faleceu no último dia 12.

1 x 0 (Pixinguinha), Noites Cariocas (Jacob do Bandolin)

Banda Gentileza

Com seis integrantes, que tocam ao todo 16 instrumentos – Artur Lipori (trompete, guitarra, baixo e kazuo), Diego Perin (baixo e concertina), Diogo Fernandes (bateria), Emílio Mercuri (guitarra, violão, viola caipira, ukelelê e voz de apoio), Heitor Humberto (voz, guitarra, violino e cavaquinho) e Tetê Fontoura (saxofone e teclado) –, as influências se multiplicam. Vão do samba à música folclórica do leste europeu, da música caipira à valsa, com espantosa unidade.. Gravou dois EPs ao vivo no projeto A Grande Garagem que Grava (2005 e 2007). Em 2009, gravou seu primeiro álbum de estúdio, produzido pelo carioca Plínio Profeta, que pode ser baixado no site da banda e ouvido no myspace.

Mais informações:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Banda Gentileza, posted with vodpod

AVA ARAUJO

Ava Araujo é cantora, e compositora. Mezzo contralto, imprime emoção e sentimento, técnica vocal e sensibilidade para interpretar as canções que seleciona para seus shows. Ava Araujo é um músico no mais complexo sentido da palavra e também no mais simples sentido dela. Esbanja técnica vocal quando o assunto é improvisação e conhecimento harmônico e melódico. Utiliza sua voz como mais um elemento a ser explorado por seu trabalho. Sua voz é um instrumento a mais na concepção da música que faz e ao mesmo tempo é o elemento mais importante para interpretação dos temas e compositores que escolhe para trabalhar, propiciando uma interatividade musical e uma simbiose em cena raramente vista em cantoras brasileiras contemporâneas.

Nascida em Vila Velha, quando adolescente foi viver na América Central. De volta ao Brasil, fixou residência em Brasília por quase 15 anos. Com discos lançados e o terceiro em fase de elaboração, Ava Araujo iniciou sua trajetória nos anos noventa com aulas de violão popular pelo renomado professor Everaldo Pinheiro, integrante da banda que acompanhou Johnny Alf por muitos anos. Na Escola de Música do Espírito santo – ligada ao Conservatório de Música do Rio de Janeiro, cursou canto popular e teoria musical e participou de vários outros cursos, workshops e oficinas de canto e música brasileira na EM&T e UVV – Universidade de Vila Velha, no Espírito Santo e Escola de Música de Brasília. Trabalhou com músicos renomados como Cliff Korman, Filó Machado, Guinga. (do BLOG da cantora)


O que move a cultura no caminho de sua voz verdadeira

Ao lançar seu blog, o jornalista, crítico musical e produtor,  Mauro Dias discorre sobre o atual momento da cultura brasileira, especialmente da música,  sobre o que há muito o que se falar com honestidade.  Não estamos sós nessa luta. (A.  Alves)

Por Mauro Dias

Mauro DiasTenho ouvido alguma coisa em torno de  trinta discos por semana – títulos que me  são entregues em mãos por amigos,  conhecidos, gente que de alguma forma – muito obrigado, desde antes – dá algum valor à opinião que eu possa ter sobre seu trabalho. É uma imensa responsabilidade opinar sobre trabalho alheio e a confiança que me estendem orgulha e comove. No tempo em que trabalhei em jornais grandes (Globo, Estadão), procurei sempre valorizar a produção independente, abrir mais espaço para os sem-mídia do que para os medalhões. Raciocinando assim: se eu comento o disco novo do Caetano Veloso, nada muda na vida (ou na obra) do Caetano Veloso. Se eu comento o disco (ou o show, ou o encontro numa roda), por exemplo, da Ilana Volcov (sobre cujo “Bangüê”, recém-lançado, extraordinário, vou falar aqui, em postagem próxima), ajudo a tornar Ilana Volcov, um talento indiscutível, um pouco mais conhecida do que ela é.

Claro que a eficácia desse tipo de atitude quando se escreve para um veículo da grande imprensa é muito grande, com repercussão desmedidamente maior do que terá a publicação num blog, numa revista virtual, uma página na nuvem da informática entre centenas de páginas que cuidam de interesse assemelhado.
Mas, por tudo o que tenho ouvido, por tudo o que tem chegado ao meu conhecimento, e considerado o vício profissional de contador de novidades e a ainda presente condição de espectador privilegiado, já que as novidades chegam às minhas mãos, não dá pra ficar calado – não dá para esconder o elogio ou, eventualmente, lamentar uma chance mal aproveitada, gritar contra os absurdos, estabelecer a indignação com as políticas culturais, com o massacre da indústria cultural. E sempre pensando que, de alguma forma, a publicação (a postagem, tá bem) vá, de alguma forma, contribuir para que um número maior (mesmo que um pouquinho só maior) de pessoas tome conhecimento do que acontece na aparentemente inesgotável fonte de coisas boas que é a produção de nosso cancioneiro.
Nos últimos anos houve uma modificação, desde muito tempo prevista, apontada como inevitável, na relação da indústria da música com a música. Os grandes nomes (quase todos) abandonaram a indústria e migraram para selos alternativos, independentes, não comprometidos com o eixo tv&rádio que determina quem, como, quando e onde faz e como faz e o que toca e como toca e quanto toca e estipula o quanto o “produto”, termo da indústria, precisa vender para compensar o investimento em publicidade, em compra de horários, em corrupção de programadores e produtores e os outros integrantes da cadeia (será que a palavra surgiu aqui por acaso?). Bom, os grandes nomes são os mesmos que já eram grandes nomes – aqueles a quem rendemos respeito e graça pelas qualidades intelectuais, pela honestidade da obra, pela lisura no relacionamento da arte. Novos grandes nomes com tais características não chegaram aos ouvidos do grande público e é improvável que cheguem – até por coerência de todas as partes envolvidas. Se a indústria abre mão dos consagrados por considerá-los comercialmente difíceis, o que a levaria a criar outras peças difíceis, dar início ao complexo processo de popularização? Do outro lado da cerca, os criadores insurgentes (ah, como é boa a palavra da língua portuguesa, com sua multiplicidade de sentidos!) também não querem saber daquele círculo viciado que vai tentar moldar seu estilo, conformar sua personalidade, aplainar seus picos de estranhamento, afinar (sentido amplo) sua sensibilidade com a de um espectral “gosto médio” cuja percepção e receptividade é definida por gráficos de consumo.
Dito de outra forma, a arte está de um lado, a indústria de outro e as duas peças não jogam no mesmo tabuleiro.
Há dois anos participei, em Curitiba, de um encontro que reunia associações ligadas à produção independente e à gestão do direito autoral (Aldir Blanc diz que o Brasil não tem direito autoral, tem errado autoral). Representando a produção alternativa estava a Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), que abrigava entre seus participantes, na época, 63 gravadoras. A análise da produção fonográfica do ano anterior mostrou o seguinte: as quatro multinacionais do disco que funcionam no Brasil lançaram, no período, 130 títulos. Desses, 75 eram licenciamento de obras produzidas no exterior, e 55, obras nacionais. No mesmo espaço de tempo, as gravadoras independentes levaram ao público 784 discos novos, de produção nacional. Pois bem, aqueles 55 títulos das multinacionais ocuparam 87,37% do tempo de veiculação musical das rádios abertas de todo o País, contra 9,82% do tempo destinados à criação alternativa. (A conta não dá 100% porque não entram no cálculo as compilações feitas, por exemplo, pela Som Livre.)
Na verdade, o absurdo é maior do que esses números apontam, pois nem todas as gravadoras e nem todos os criadores independentes são afiliados da ABMI. Numa estimativa conservadora, pode-se multiplicar por dez aqueles 784 títulos usados para fazer a conta.
E ainda assim, amigos, vale a pena brigar? Claro que vale. Só não valerá para quem considere todo ouvinte burro, todo leitor tapado, todo o público manipulável, toda a cultura inútil. Não valerá para quem tenha perdido o amor-próprio, para quem desdenhe de suas próprias aflições e esperanças, para quem desista do verbo e se encaracole no silêncio de antes da palavra e da música. E eu não acredito que haja gente assim. Pelo menos não em número significativo.
E foi por necessidade vital e responsabilidade intelectual de contribuir, de alguma forma, para vencer a barreira do silêncio, que resolvi começar esse blog. Ele estreou na semana passada, com um comentário sobre o show da cantora Tatiana Parra – um show tão bom que era impossível não escrever sobre ele. A resposta foi bacana e mereci algumas delicadas correções. Uma delas tratando de caso grave: não incluí no texto o nome dos músicos participantes do espetáculo, nem os dos diretores e técnicos, todos tão importantes para a qualidade formidável do resultado. Apresento minhas escusas.
Assim, na semana passada dei o pontapé inicial, movido pela coceira na ponta dos dedos das mãos, pela inapelável necessidade de dividir com mais pessoas a emoção que me tomou depois do show que tive a graça de ver. Hoje tento expor as razões daquele pontapé e justificar, com o peso de alguns números e o peso maior da emoção, a disposição (e a pretensão) de montar guarda, ao lado de tanta gente que admiro, e de tanta gente que virei a admirar, nessa guerrilha de remissão. Pois comecei. Quero falar de shows, de discos, de encontros, de rodas, de conversas, de surpresas, de sentimentos, de política, de atitude, de tomada de posição, de resistência, de impaciência e indignação – do que move um povo, uma cultura, no caminho de sua voz verdadeira. Eu sei que é pouco. Eu sei que é muito.

Tatiana Parra, por Mauro Dias

Tatiana Parra é, por gasta que seja a expressão, uma rara unanimidade no meio musical paulistano de agora. Quem faz música ou admira ou está envolvido com música sabe de sua afinação e bom gosto, dedicação e seriedade, da graça de seu misto de ingenuidade e malícia. Créditos que são, feitas as contas, indispensáveis a quem queira subir ao palco como porta-voz (e quem precisa de cantora que não seja porta-voz, afinal?).

Tanto assim que o primeiro disco de Tatiana vinha sendo esperado como grande acontecimento. (leia mais)

DE CARA NOVA

O blog está com  um visual mais limpo e um menu que permitirá pesquisas mais rápidas e dirigidas dos posts. A funcionalidade estará totalmente pronta durante o mês de julho.  O conteúdo, claro,  será melhor ainda.