FREVO – COMO O DIABO GOSTA!

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O frevo surgiu em Recife no final do século XIX, a partir da associação da música a dança. Músicos oriundos de bandas marciais formaram bandas populares que desfilavam em eventos religiosos ou não. Capoeiristas iam à frente abrindo alas para os músicos ou enfrentando as agremiações rivais, como ocorria também nas festas e desfiles no Rio de Janeiro e na Bahia. Os passos da luta se transformavam em passos de dança, para disfarçar as intenções diante da polícia. assim como o guarda-chuvas eram usados como arma. Dessa forma formou-se o conjunto básico do frevo, dançarinos à frente da banda, com passos elásticos e acrobacias, portando sombrinhas coloridas, seguidos por uma multidão dançando empolgada.
Por sua própria necessidade, a composição de um frevo nasce junto com a orquestração, com melodia fortemente sincopada, ao contrário do ritmo que possui poucas síncopes nas partes graves.
Embora seja essencialmente carnavalesco e pressuponha o desfile de rua, o frevo é também executado em salões, com andamento mais lento. Os grandes mestres Capiba e Nelson Ferreira, dentre tantos, compuseram frevos que fizeram sucesso em todo o Brasil, disseminando o gênero que foi explorado por compositores como Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, e sendo interpretado por diversos cantores, como Aracy de Almeida.
Ainda assim, o frevo tem pouca presença nas demais regiões do país. Ano a ano, tanto quanto cresce o carnaval de rua carioca, pela riqueza das orquestrações e pela beleza das músicas tem aumentado a execução de frevos. Um fato relevante e associado à presença, cada vez maior, de orquestras com naipes de metais e percussão (brass-bands) que capitaneiam desfiles de blocos pelas ruas cariocas.
Não é estranho portanto que, no Rio de Janeiro tenha surgido a primeira orquestra de frevo fora de Pernambuco: a Frevo Diabo.
A orquestra é liderada por Daniel Marques, carioca, e Armando Lobo, pernambucano, e conta com Daniel Marques (guitarra/violão), Armando Lobo (voz), Fred Castilho (bateria), Fernando Silva (baixo), Leandro Soares (trompete), Julio Braga e Bernardo Aguiar (percussão), Julio Merlino e Alexandre Bittencourt (sax) e Gilmar Ferreira (trombone).
A formação garante a sonoridade da orquestra e também traz elementos modernos, evidenciados nos arranjos e nas composições do grupo, que poderá ser contatado no primeiro álbum lançado pela Delira Music, que tem nome da orquestra, que é homenagem a um frevo composto por Edu Lobo e Chico Buarque.
São sete músicas de compositores tradicionais como Capiba (Chapéu de Sol Aberto), Levino Ferreira, o maior compositor de frevos-de-rua (Último dia); nomes ligados à MPB como Chico Buarque e Edu Lobo, Não existe pecado ao Sul do Equador (com Rui Guerra), a já citada Frevo Diabo, o frevo-canção Cordão da Saideira e Guinga de quem gravaram Henriquieto. O disco abre com a composição de Armando Lobo Frevo Guarani e se encerra com dois frevos: Enquanto existe Carnaval (Thiago Amud) e a jazzística Carnaval de Perneta (Daniel Marques).
Os arranjos respeitam os elementos tradicionais, introduzindo elementos modernos, muitos já presentes nas ruas do Recife, nos arranjos, quebrando uma certa lógica do gênero. Acordes dissonantes apresentam-se proporcionando uma presença diferente dos metais, o que, no entanto, não altera a natureza dançante do gênero.
A última faixa, definida com jazzística, remete em riqueza musical ao Frevo de autoria de Egberto Gismonti. Com a presença luxuosa de Nicolas Krassik ao violino, a orquestra navega pela música, como se a cada onda um instrumento, ou seção, assumisse o comando em meio à calmaria. O frevo segue normalmente, enquanto os instrumentos em seu solo desenham melodias paralelas, que se reencontram e retomam a melodia original. A alma continua ali, pronta para dançar.
Para comprar: Delira Music ou, claro, nas boas casas do ramo.
ouça aqui

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