ZÉ BODEGA – o maior saxofonista brasileiro


Procurei um vídeo em que aparecesse este excepcional músico, porém não encontrei. Gostaria de postar algo aqui que ilustrasse o texto de Zuza Homem de Mello que selecionei, para que o leitor tivesse uma noção da sonoridade de Zé Bodega. Sugiro a busca dos discos citados no blog Loronix, cujo link está no texto ou nos links na coluna ao lado. (Áurea Alves)

Zé Bodega (1923-2003), por quem K-Ximbinho nutria admiração, foi, segundo ele, o maior saxofonista brasileiro. Os demais, saxofonistas-tenores ou não, concordam em peso e sem hesitação. Nas incontáveis gravações de que participou acompanhando cantores, ninguém se arriscava a solar depois de Zé Bodega – apelido que vem da infância, quando fingia ser o dono de uma lojinha de brincadeira, a bodega, onde “vendia” areia como se fosse sal. Com menos de dez anos de idade, imitando o pai, formou uma banda, que dirigia com um pedaço de pau pelas ruas de João Pessoa.
O mais tímido dos irmãos de Severino entrou para a Tabajara em 1942, era ótimo clarinetista, atacava as notas com meiguice e fraseava as notas graciosamente soprando quase sem vibrato, com uma personalidade identificável à primeira vista. Teria lugar na galeria dos grandes saxofonistas do jazz. Idolatrava Al Cohn, descendente em linha direta do som cool nascido com Lester Young.
Nos bailes da Tabajara teve por anos um destaque em Jealousy , mas em 1955 Severino decidiu compor um tema específico para mostrar as virtudes do irmão. Aproveitando um exercício de suas aulas de harmonia com o professor Koellreutter, com o tema Água com açúcar em três andamentos cada vez mais rápidos. Na fase dos 78 rotações ele foi solista da Tabajara em diversos choros, como Malicioso e Passou, afora frequentes intervenções na abundante discografia da orquestra. Zé Bodega é o saxofonista que se ouve na famosa gravação de Eliseth Cardoso, Canção do amor, de 1950 (…). Participou com destaque em solos curtos e sensacionais da infernal Turma da Gafieira, que gravou um célebre LP de 10 polegadas no auditório da Escola Nacional de Música, nos anos 1950.
No início dos anos 1960, o grande Zé Bodega gravou o único LP sob seu nome, Um sax no samba, acompanhado pela orquestra do irmão sem o naipe de saxofones, um disco de produção equivocada no qual ele ainda mostra sua categoria em “Palhaçada”, “Onde estava eu”, “Sambando” e “Fiz o bobão”. Em 1971 a Odeon lançou o vinil Chorinhos da pesada, com diversos solistas como Raul de Barros e Abel Ferreira. Bodega gravou pela segunda vez um choro de sua estatura como músico ao tocar com Radamés Gnatalli, “Bate-papo”. No mesmo disco, acompanhado pela metaleira da Tabajara, realiza o solo antológico do intrincado choro “Teclas Pretas” de Pascoal de Barros, o lendário saxofonista de quem não se tem notícia de haver qualquer gravação. No já mencionado espetáculo da Tabajara no Anhembi em 1977, Zé Bodega tocou o choro pela última vez. Aplaudidíssima, a performance é a faixa 5 do lado B no LP O fino da música, volume 2, gravado ao vivo. De 1977 a 1988 “Teclas pretas” foi tocado duas vezes por dia, durante onze anos seguidos, na Rádio Jovem Pan. Era o prefixo do “Programa do Zuza”.
Depois do show no Anhembi, Zé Bodega decidiu dar um tempo. Tinha pressão alta e ficara muito emocionado. Continuou tocando só na orquestra da TV Globo. até sua dissolução. Em seguida vendeu o tenor e ficou tocando flauta na sua casa de praia em Itaipuassu, em Maricá. A perda da mulher foi um golpe muito duro. Não resistiu. Quando faleceu, em 23 de setembro de 2003, foi publicada uma singela notícia sobre a morte de José Bodega(sic). Era simplesmente o maior saxofonista brasileiro.
(Mello, Zuza Homem de, Música nas veias – memórias e ensaios , São Paulo, editora 34, 2007)

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    • Joselito Rocha
    • 8 de novembro de 2009

    O que tenho a dizer, que até hoje não ouvir, nenhum saxsofonista de tanta sensibilidade como zé bodega, quando frequentei os bailes da tabajara depois do anos de 1985 em diante, quando conversava com severino araújo sempre disse da minha adimiração por todos os musicos araújos, conheci o manoel(trombone) de vista, plínio (bateria)conversei algumas vezes, jaime (sax-alto), conversei também, mas com severino conversava mais. Nessas conversas falavamos de musica, da história da tabajara, e dos solos de zé bodega, como diz o zuza homem de melo em março de 1991, no lp anos dourados vol. 2, zé bodega era o saxsofonista de maior personalidade da musica instrimental brasileira.
    Eu infelismente não conheci zé bodega, mais coloco neste comentário, ele não era desse mundo, destaco os solos de mirando-te em 1975 e água com açucar em 1977, regravações da tabajara, e todos os solos do zé no trabalho do k-ximbinho, saudades de um clarinete, são fantasticos.

    • Joselito Rocha
    • 8 de novembro de 2009

    PARA MIM O MELHOR SAXSOFONISTA QUE EXISTIU, CONHECI TODOS OS ARAUJO MENOS O ZÉ BODEGA, FREQUENTEI BAILES DA TABAJARA DESDE 1985, O MANOEL SÓ CONHECI DE VISTA, O PLÍNIO E O JAIME CONVERSEI ALGUMAS VEZES. CONHECI OS FILHOS DO SEVERINO, O RONALDO E O CHIQUINHO DURANTE EXIBIÇÕES DA ORQUESTRA CUBA LIBRE,MAS A MINHA AMIZADE FOI COM SEVERINO, E SEMPRE DISSE A ELE A MINHA ADIMIRAÇÃO POR ZÉ BODEGA, CONCORDO COM O SR. ZUZA HOMEM DE MELO NO COMENTÁRIO DO DISCO ANOS DOURADOS VOL 2, O SAXSOFONE DE MAIR PERSONALIDADE.
    COLOCO EM DESTAQUE OS SOLOS DE MIRANDO-TE EM 1975 NA SÉRIE DEPOIMENTO NA ODEON REGRAVAÇÃO, AGUA COM AÇUCAR EM 1977 NA TABAJARA DE SEVERINO ARAÚJO NA CONTINENTAL REGRAVAÇÃO, E NO DISCO DO K-XIMBINHO SAUDADES DE UM CLARINETE, TODOS OS SOLOS DO ZÉ BOFEGA, SÃO FANTASTICOS.

    JOSELITO UM ADIMIRADOR DA BOA MÚSICA.

    • Rogerio
    • 25 de novembro de 2010

    gostaria de ouvir algun trabalho de saxfonista

    • jouefles costa de almeida
    • 9 de janeiro de 2011

    conheço varios saxofonistas brasileiros como: ivanildo sax de ouro, ivan maia, caio mesquita, saraiva e outros, mas não conheço os acordes de zé bodega, queria ouvir alguma música executada por ele, abraços de quem está tentando aprender tocar sax, e tenho cinquenta anos de idade.

      • Aurea Alves
      • 28 de abril de 2011

      Você chegou a baixar os discos que mencionei? No site Loronix você encontra. Infelizmente, a maior parte dos registros são com orquestra. Mas ainda assim, é possível ter-se noção do talento de Zé Bodega.

    • panico max
    • 8 de março de 2011

    hoje em dia quem ests sendo considerado o melhor saxofonista brasileiro é um jovem de feira de santana (bahia) sergio silva ja tocou diversas musicas junto com james carter è um verdadeiro poliglota do sax.

      • Aurea Alves
      • 28 de abril de 2011

      Onde podemos encontrar material dele na WEB? Quero conhecer. Abs

    • WELLINGTON M. VASCONCELOS
    • 22 de maio de 2011

    Além de ZÉ BODEGA, lembramos de: VICTOR ASSIS BRASIL; DEMETRIOS SANTOS LIMA (o maior primeiro alto de todos os tempos de orquestras brasileiras)

    • Lauro Ferreira
    • 26 de outubro de 2011

    Meu nome é Lauro Ferreira, também toco sax,porem pra mim o melhor que conhecí foi JOSÉ HONOFRE NEIVA (DUNGA). que foi grande compositor, arranjador, clarinetista, saxofonista,etc.Pra min DUNGA, foi o melhor.Lauro Ferreira

      • Aurea Alves
      • 8 de novembro de 2011

      Lauro, obrigada pela informação. Voc}ê tem material sbre ele? Eu dei uma olhada básica via Google e não encontrei nada. Abs

    • Joselito Rocha
    • 13 de agosto de 2014

    Recentemente adquiri um LP do fino da música volume 2 com zé bodega solando teclas petras, espetacular.

    Esses ícones musicai vão indo embora e não deixam substitutos.

    Joselito Rocha, admirador de boa música.

  1. 16 de março de 2010

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