Michael Jackson: não há uma segunda chance contra a morte

(adaptação do verso de Thriller: there aint no second chance against the thing with forty eyes)

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A morte de Michael Jackson, no último dia 25, sobrepôs-se a qualquer outro evento. Apostemos que durante a final, Brasil x EUA, da Copa das Confederações, disputada na África do Sul será dedicado um minuto de silêncio ao americano
Do ponto de vista estritamente musical, Michael Jackson deixa pouca contribuição, uma vez que é produto de um processo mais amplo, registrado em especial pela gravadora Motown, de uma música americana negra, urbana, estruturada na soul-music e no funk, surgida nos anos 1960 que cativava o público jovem.
O cantor deixa um legado diferente para a música pop mundial, uma forma diferenciada de apresentar a música que atendia e explorava as diversas formas de sua reprodução, especialmente a televisão de onde surgiu.
Sua estréia como cantor aos dez anos de idade, ao lado de seus quatro irmãos no grupo Jackson Five em 1968, saindo do grupo em 1970. Seus primeiros álbuns-solo foram lançados em 1972, contendo baladas melosas, com refrões fáceis, cravaram seus primeiros sucessos.
Em 1979, após um período de afastamento, Michael convida o maestro Quincy Jones para produzir o disco Off the Wall, que o consagra como campeão de vendagens internacional. O disco misturava disco-music com rythim’n blues surpreendendo fãs e crítica. Quincy produziu os dois discos seguintes, Thriller (1982 ) e Bad (1987), os três foram melhores trabalhos de Michael. Ao lançar Thriller, o cantor foi o primeiro artista a investir pesado na produção do vídeo-clip de lançamento, com qualidade cinematográfica, o que resultou em 100 milhões de discos vendidos. Com 10 álbuns lançados em 30 anos de carreira, Michael atingiu a vendagem de mais de 750 milhões de discos (conforme o jornal The New York Times), recorde mundial mantido até o momento.
Michael. que ocupou o lugar de Elvis Presley enquanto grande ídolo norte-americano, acima de tudo era um homem de negócios que soube associar à música, sua habilidade na dança e performance no palco e às mídias corretas. Este é o grande mérito de Michael Jackson, emblematicamente definido por Martin Bandler, executivo da Sony, gravadora pela qual era contratado, em nota oficial: “Michael era um talento incrível, do tipo que só aparece uma vez na vida. Ele era incrível gravando, um empresário perspicaz, um inigualável intérprete (…)”. Este é o seu legado principal, o mais bem sucedido ícone da música pop, a despeito da metamorfose física promovida por suas neuroses e ocorrências de sua vida pessoal , exaustiva tanto quanto superficialmente exploradas pela mídia de um modo geral.
Ídolos, de tempos em tempos, têm morte surpreendente ou pré-matura, tragédia que, no senso comum, os aproxima da essência divina da arte, tornando-os, assim, objeto de culto e cuja ausência materializa-se, adquirindo também valor de mercado. Michael, agora morto, entra para a hagiografia da música pop, a preços nada módicos.

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