DONA INAH E O SAMBA DE EDUARDO GUDIN

Ou fazer samba não é contar piada

Conheci Dona Inah em 2001, numa roda de choro no bar do Cidão no bairro paulistano de Pinheiros, um espaço que costuma reunir músicos e cantores de samba e choro, de primeira a ponto de atrair figuras conhecidas como Beth Carvalho.
Dona Inah, preocupava-se com a hora de ser chamada para a canja, pois não podia perder o último ônibus para voltar para casa, na Zona Sul Paulista. Aos 67 anos trazia na bagagem a experiência de cantora da noite, como crooner de orquestras paulistas, como a de Cyro Pereira, e, após o casamento, da árdua batalha pela criação dos filhos, longe da música profissional. Mas ela estava de volta.
Chamou-me a atenção pela voz forte com um quê de Nora Ney, substituindo a dramaticidade desta pela delicadeza. Ainda não há registro, mas foi na voz de Dona Inah que ouvi a melhor interpretação de Cordas de aço (Cartola).
Dois anos depois, lançou seu primeiro disco (Divino samba meu, CPC -UMES, 2004), participando de diversos shows pelo Brasil e no exterior. Ironica, mas merecidamente, recebeu o Prêmio Tim de revelação de 2004.
Dona Inah apresenta, agora, seu segundo álbum, Olha quem chega (Dabliu), dedicado à obra do compositor paulistano Eduardo Gudin que honra com sua obra a definição de Vinícius de Moraes em Samba da benção: “um bom samba é uma forma de oração”.
Um dos grandes compositores de samba, e gravado pelos principais intérpretes do gênero na década de 1970, começou sua carreira no programa de Elis Regina (O Fino da Bossa) e participou dos vários festivais que ocorreram a seguir, inclusive na Bienal do Samba de 1968. Tornou-se parceiro de grandes nomes da música, como Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Roberto Riberti, Paulo Vanzolini e o mais constante Paulo César Pinheiro.
De um total de 260 músicas, Dona Inah selecionou 16 sambas, conferindo-lhes interpretações em que consegue impor seu próprio estilo, sem prejuízo da qualidade de músicas, que tiveram sucesso gravadas originalmente por intérpretes como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Originais do Samba, Márcia, Leila Pinheiro além do Notícias dum Brasil, grupo de Gudin, que teve como vozes de destaque Mônica Salmaso, Renato Brás e Fabiana Cozza. O acompanhamento ficou por conta dos execelentes grupos Quinteto em Branco e Preto e Samba Novo, além de partipações especiais.
As melodias bem delineadas de Gudin parecem ter sido compostas para a voz feminina, tal o detalhe e a delicadeza das frases. Assim, uma voz mais rouca como a de Inah imprime um tom mais simples e dramático, como ocorre, por exemplo, em Mente (com Paulo Vanzolini) gravada de um modo mais dolente por Clara Nunes. Essa simplicidade favorece a audição dos sambas de Gudin, despindo-os de rótulos regionais, chamando a atenção para a qualidade de músicas que passam ao largo, por exemplo, de rodas de samba, mas que representam o melhor desse gênero nacional.
Para comprar o disco: Dabliu , nas boas lojas do ramo ou com a própria cantora em suas apresentações às terças feiras, às 22:00 h no Bar Ó do Borogodó (rua Horácio Lane, 21 – São Paulo).

Vale conferir a página de Dona Inah   e comprar o disco no site da Dabliu , nas boas lojas do ramo ou com a própria cantora em suas apresentações.  Mais sobre Dona Inah no artigo de Daniel Brazil.

LADRÃO EM CASA DE POBRE (Jorge Costa)

14 BIS (Eduardo Gudin)

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: