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JOÃO CALLADO @ ALGO A DIZER – dezembro/2009

21 21UTC dezembro 21UTC 2009

Leia a íntegra da crítica ao primeiro álbum do músico João Callado no Algo a Dizer.

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O SAMBA É DE TODO DIA

3 03UTC dezembro 03UTC 2009

A melhor forma de comemorar o Samba é celebrar sempre seus compositores, mestres muitas vezes esquecidos. No último dia 29, em Paquetá, uma roda de samba com o grupo Terreiro de Breque celebrou o grande Manacéa, compositor carioca e membro da Velha Guarda da Portela, falecido em 10/11/1995.
O samba correu de modo simples e tranquilo como o artista gostava, nos dizeres de sua filha Áurea Maria, presente na roda ao lado da mãe Dona Neném. Toda emoção foi pouca.

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Algo a Dizer – novembro

25 25UTC novembro 25UTC 2009

Como o malandro Bento Ribeiro de Ney Lopes, Pedro Miranda é importante fragmento de um universo, o do samba, e carrega em si e transmite em seu trabalho moderno os códigos preservados atavicamente, despertando memórias fundamentais para a Música Popular Brasileira e, ao mesmo tempo, para construção de uma história própria desses primeiros sambistas que impulsionaram a chamada revitalização da Lapa enquanto bairro boêmio. (leia a íntegra no site do Algo a Dizer)

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RODA DE SAMBA PAULISTA – Projeto nosso samba

11 11UTC novembro 11UTC 2009

A brincadeira de Vinícius de Moraes que taxou São Paulo como o túmulo do samba é mais um exemplo da arte carioca de não perder a piada. O poeta conhecia muito bem os redutos musicais da cidade e tinha contato com seus grandes sambistas. Sabia da relação da metrópole com a diversidade musical e com o nível de expressividade do gênero ali. Foi uma boa provocação dirigida à cidade que sempre viveu bem com o samba, mesmo nos momentos em que o gênero andou esquecido.
Tanto quanto a Lapa carioca retomou seu espaço de bairro boêmio graças aos sambistas que se reuniam nos antigos botecos, bairros paulistanos como a Vila Madalena viram surgir, primeiro botecos, e depois inúmeras casas dedicadas ao samba, que já resistia na periferia paulistana.
Muitas dessas rodas têm assumido a forma de projetos onde fãs, compositores, intérpretes e músicos se dedicam periodicamente ao samba sem o compromisso material, pelo grande prazer de cantar e sambar. Ao mesmo tempo, encampam projetos sociais sempre ligados à cultura, especialmente à afro-brasileira.
Já tratamos aqui dos paulistanos Samba da Vela e do Terreiro Grande. Outro bom exemplo é o Movimento Cultural Projeto Nosso Samba que se reúne quinzenalmente no município de Osasco, região metropolitana, a partir do encontro de um grupo de 40 amigos que se encontra desde setembro de 1998, conforme seu site. Além de cantarem músicas de autores representativos do gênero, apresentam composições de paulistanos, criando com isso um espaço de repercussão do novo. A próxima roda acontecerá em 22/11 às 16:00 h (entrada franca), na Casa de Cultura Afro-Brasileira Casa de Angola.
Na celebração dos 11 anos do projeto foi editado um caderno especial que pode ser lido no site ou no blog.
da galera.

Composições de integrantes do movimento: Pedra na Cruz (Selito SD) e Maré Brava (Ari bicudo).

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DE BROOKLYN (NYC) PARA POMPEIA(SAMPA)

11 11UTC novembro 11UTC 2009

O SESC em sua unidade de Vila Pompeia em São Paulo, promove shows com três bandas surgidas no, hoje, alternativo e badalado culturalmente distrito nova-iorquino do Brooklyn. Uma curiosa coincidência porque o bairro paulistano, é berço tradicional de bandas de rock paulistanas, sendo a mais importante delas os Mutantes, que influencia o som de muitas bandas nos EUA e Europa.
Bairro de imigrantes, pobre e, portanto, de imóveis a preços acessíveis, acabou atraindo artistas marginais e suas propostas experimentais e ousadas. Surgindo o que se pode chamar de uma sonoridade própria do bairro, permeada por influências que se contrapõem às esgotadas tendências pop. Ao mesmo tempo, Brooklyn já padece dos efeitos da revitalização, sucedida pela especulação. Ainda assim, ainda há muito a se descobrir da produção musical do lugar.
As bandas escolhidas para o evento não representam o todo do movimento cultural, mas possuem relativo sucesso no meio indie e trazem alguns de seus elementos principais: psicodelia, eletrônica e experimentalismo por exemplo.
Destaco o som de Chairlift (12/11), os demais são o duo feminino Telepathe (13/11) e a Bear Hands (14/11). Vale visitar o unbubble em inglês para ler um artigo sobre os primórdios da música experimental no Brooklyn.

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OS MUTANTES – o deboche da aldeia que virou universal

9 09UTC novembro 09UTC 2009

(brincando com Tolstoi)

Em 1966, na cidade de São Paulo, os dois filhos de pianista erudita, Arnaldo e Sérgio uniram-se à filha de americanos Rita Lee Jones e formaram a banda Os Mutantes. Poderiam ser mais um grupo de iê-iê-iê (nome pelo qual se denominava, no Brasil a música jovem baseada no rock de então, que tinha como estrela principal Roberto Carlos).
Não o foram, pelo atrevimento, formação musical do trio e seu interesse pelas tendências do rock da época, notadamente pela nova sonoridade dos Beatles, que havia sido demonstrada no disco Revolver (1966) que associava outros instrumentos às guitarras, bateria e baixo elétrico, além das experiências dos arranjos que misturavam recortes de outras músicas, dissonâncias e música erudita, sob o comando no maestro George Martin.
No Brasil, coube a Rogério Duprat introduzir formalmente esses elementos ao assumir os arranjos das músicas do movimento Tropicalista, conferindo-lhe a modernidade proposta por seus integrantes (especialmente Caetano Veloso e Gilberto Gil). A proposta juntava a música popular brasileira – seus instrumentos e temas – aos arranjos modernos que continham o rock, à distorção de instrumentos e vozes, a música eletroacústica e elementos essenciais da música erudita, particularmente da música concreta.
Os Mutantes enquadraram-se perfeitamente, inicialmente como coadjuvantes, acompanhando de modo significativo Domingo no Parque (Gilberto Gil, 1967) e em 1968 participando do disco Tropicália com a bela Panis et Circensis, também de Gil.

Os três eram multi-instrumentistas, possuíam, portanto, a versatilidade da execução e estavam completamente envolvidos com a cultura pop de então. Fizeram sucesso junto ao público jovem em suas partciapações nos concorridos festivais de música, o que fez com que rapidamente foram contratados pela gravadora Polydor e iniciaram carreira própria, lançando 5 álbuns entre 1968 e 1972. Seus discos mantiveram os elementos fundamentais da Tropicália, assegurados pela presença de Rogério Duprat, nos arranjos, realçando as composições próprias, e de compositores menos famosos do movimento, como Tom Zé, com a bem-humorada moda 2001.
Em 1974 Rita Lee deixa o grupo, para seguir carreira própria, com estilo bem-humorado, mas consolidando carreira de cantora e compositora pop-rock de sucesso entre 1975 e começo dos anos 1980. Arnaldo Batista deixou o grupo para instável e quase incógnita carreira solo, mantendo consigo características de letras e músicas que remetiam à produção anterior da banda, reafirmando seu papel central no trabalho da banda.
Os Mutantes prosseguiram liderados por Sérgio (exímio guitarrista), enveredando-se pelo caminho do rock progressivo, sem qualquer repercussão.
Claramente o contato com o grupo da Tropicália, e fundamentalmente com Rogério Duprat, deu a cara e a consistência aos projetos que o grupo desenvolvia. A receita não poderia mais se repetir.
Com vida curta, contudo, o grupo foi capaz de consolidar influências que se manifestam com clareza nas novas bandas que perseguem hoje o chamado som psicodélico. Como poucas bandas no mundo, e a única fora do eixo EUA e Inglaterra, os Mutantes seguiram à risca o conceito consolidado pelos Beatles: rock, música erudita, distorções, arranjos insólitos de voz e instrumentos, poesia engajada e debochada, e a essencial dose de música do país de origem: a riquíssima Música Popular Brasileira. Tornaram-se universais.

Embora de baixa qualidade, vale à pena assisitr a apresenção de 2001 no IV Festival da Música Popular Brasileira de 1968, com Gilberto Gil no acordeon.

Para ouvir mais Rogério Duprat e Mutantes pode-se buscar nos sites aí do lado (Loronix e Um que tenha).

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MORRE SEO EDIR DA VELHA GUARDA DA PORTELA

4 04UTC novembro 04UTC 2009

Seo Edir Gomes, compositor e cantor da Velha Guarda da Portela, faleceu nesta 4a. feira de causa ainda não informada pela família. Também não foram divulgadas informações sobre o velório e enterro do sambista.

Seo Edir foi um dos autores de sambas enredos portelenses como  ”O homem do Pacoval” (1976) e “Recordar é viver”(1985). 

Esta é a terceira perda ocorrida neste ano sofirda pelo  histórico grupo de sambistas organizado por Paulinho da Viola, e paradigma indiscutível do samba de hoje. No começo do ano morreram Casemiro da Cuíca e a pastora Doca. 

VOLTA (Manacéia)

 

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A irreverência da família Barnabé

4 04UTC novembro 04UTC 2009

Da irreverência de Arrigo Barnabé na cena musical brasileira muita gente sabe. Mas tão irreverente quanto e não menos importante, o irmão do cantor, Paulo Barnabé nos idos da década de 80 montou a banda “Paulo Patife Band”. Assim como Arrigo, Paulo também se utiliza do dodecafonismo nas composições e mistura uma boa pegada punk rock.

A banda abreviou o nome para “Patife Band” quando lançaram o segundo disco “Corredor Polonês”, com letras divertidas como no caso de “Chapeuzinho Vermelho” e  “Tô tenso”.  No ano de 2005 a banda gravou o CD “Ao Vivo” e está de volta à ativa. Esperamos agora mais shows!

Para saber mais acesse o Myspace: Patife Band
 

O Veneno – Patife Band


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Uma coleção de obras-primas

28 28UTC outubro 28UTC 2009

por Caetano Veloso

Há muito tempo não ouço um disco inteiro com tanto entusiasmo no coração quanto esse ‘Pimenteira’. Acho que ouvi Pedro Miranda pela primeira vez numa faixa do CD de Teresa Cristina – e fiquei maravilhado com a musicalidade, a cultura entranhada, a naturalidade, o frescor. Comuniquei meu entusiasmo a Moreno e ele me disse que conhecia Pedro: logo eu estava com o primeiro CD de Pedro nas mãos. O CD confirmava a muito boa impressão causada pela faixa no disco de Teresa. De modo que, agora, quando ele me entregou uma cópia do seu novo disco, eu já me pus em alta expectativa. Mas não imaginava que estivesse diante de um trabalho de tamanho fôlego. Considero este um disco de grande artista. É um disco fácil de ouvir, maneiro, agradável, porém tem força histórica intensa e convida a reflexões complexas e tão profundas que nem a deliciosa paródia de texto acadêmico que vem no encarte (a respeito da alegoria deliberadamente ingênua de Edu Krieger, “Coluna Social”), poderia satirizar.

Para começar, o estilo despojado do cantor, sem afetação, sem tiques nenhuns, dá conta de toda a possível cultura crítica atual relativa ao canto popular brasileiro. Voz maleável, incrivelmente confortável nas regiões agudas, ele mostra destreza e agilidade sem que se perceba esforço de sua parte. E o fraseado revela reverência e familiaridade com a história do samba. Mas é a escolha do repertório que ilumina as virtudes do seu estilo. Esse repertório (para cuja feitura ele agradece a colaboração de Cristina Buarque e Paulão 7 Cordas) diz tudo sobre o que deve ser dito a respeito do que vem acontecendo com o samba, desde que este se tornou emblema da musicalidade brasileira (“O mito é o nada que é tudo”), passando pelo furacão camuflado que foi a bossa nova, e pela sua recolocação no ambiente que o forjou: a boemia que transita entre certos morros e certas áreas do asfalto carioca. Essa recolocação teve como marco inicial a virada que significou, no meio dos anos 1960, coincidirem as insatisfações de Nara Leão com o surgimento do Zicartola, o início das atividades de compositor de Chico Buarque em São Paulo e o estrelato conjunto de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus no Rosa de Ouro. Todos os desdobramentos – de Beth Carvalho ao Art Popular, de Zeca Pagodinho ao Psirico, de Arlindo Cruz a Roberta Sá – estão homenageados nesse álbum coeso, sincero e de grande visão.

O arco de compositores vai de Nelson Cavaquinho a Rubinho Jacobina – e, no entanto, a unidade de visão faz de ‘Pimenteira’ uma obra autoral de Pedro Miranda. As melodias, em geral com sabor de choro a caminho da gafieira (mas sem deixar de fora nem a chula baiana nem o coco nordestino), sustentam um virtuosismo poético que, por força da perspectiva da escolha do material (e da ordem em que ele vem), sugere um gosto pessoal, a um tempo apurado, exigente e espontâneo, que atravessa todo o disco. Dos versos elegantes de Paulo César Pinheiro para a música rica de Mauricio Carrilho (com ecos de Bororó) ao fascinante jogo embaralhado de imagens atuais no samba de Moyseis Marques, passando pela “Imagem”, de Trambique e Wilson das Neves, e pelo show de bola de Elton Medeiros e Afonso Machado, tudo em ‘Pimenteira’ transpira grande talento guiado por grande inteligência. O disco fala de tudo o que fala como Nei Lopes fala (na única nota de encarte que não foi escrita por Pedro e Luís Filipe) da série de mulatos que compõem a figura de Compadre Bento: com admiração e intimidade.

Terminei citando muitos dos sambas do disco, mas não é por os achar menos interessantes que não citei alguns: todos são de alta extração, todos fazem o CD soar como uma coleção de obras-primas. O que faz com que esse disco ao mesmo tempo pareça o lançamento de um novo autor e uma antologia de clássicos. Na verdade é o disco que já nasce antológico. A colaboração de Luís Filipe de Lima é decisiva na definição dos arranjos e da sonoridade. Sobre ele (e os demais colaboradores musicais e técnicos) Pedro fala melhor do que eu poderia, nas palavras de agradecimento que escreveu. Quanto a mim, sou mais levado a considerar que a oportunidade foi uma dádiva que Pedro lhes fez.

Eu sempre sou citado como elogiador fácil de moças jovens bonitas que cantam samba. Nunca as elogiei sem que achasse justo fazê-lo. Dizer aqui que o CD de um marmanjo, que nem tipo gatinho é, é algo muito mais importante do que o que essas ninfas têm, em conjunto, alcançado deve dar uma ideia do quanto considero ‘Pimenteira’ um evento especial em nossa música. E, de quebra, pode dar mais credibilidade aos elogios que faço às moças.
(divulgação)

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PEDRO MIRANDA lança PIMENTEIRA, novo CD

28 28UTC outubro 28UTC 2009

A geração de sambistas que revitalizaram o gênero na Lapa (Rio de Janeiro) já não pode ser chamada de nova geração. Mais de uma década é passada desde que os primeiros se reuniram em botecos promovendo rodas de samba e choro. E, sim, o veterano Pedro Miranda estava entre estes se apresentando no grupo Semente, no bar pioneiro do mesmo nome, resgastando do “limbo do esquecimento” grandes nomes do samba brasileiro.
Hoje esse grupo de artistas começa a apresentar o próprio trabalho autoral como neste segundo disco de Pedro. Sua voz sem impostação que cometeu duetos perfeitos com Teresa Cristina, dedica-se a composições, com claras referências aos grandes compositores do gênero, mas com a atualidade necessária, afinal são outros tempos.
O show de lançamento será no próximo dia 3, no Teatro Rival, às 19h:30. Para ouvir e obter maiores informações é só visitar a página de Pedro no myspace. O vídeo fica por conta de um dos ótimos duetos com Teresa Cristina. (crítica do CD no Algo a Dizer)